GLP-1
Estudo observacional publicado no Gastro Hep Advances avaliou o uso de agonistas de GLP-1 em pacientes com pancreatite crônica e encontrou associação com menor uso de analgésicos e menor taxa de intervenções pancreáticas, incluindo cirurgia de grande porte. O mecanismo mais provável envolve redução de inflamação sistêmica e melhora do esvaziamento gástrico, com menor estimulação enzimática pancreática. O desenho real-world limita causalidade, mas o sinal clínico é relevante para endócrinos que têm pacientes com pancreatite crônica e obesidade concomitante. Dados de n e tamanho de efeito ainda não publicados em detalhes pela fonte.
Fonte: MedPage Today
3 ganchos
- Pancreatite crônica e obesidade no mesmo paciente: o GLP-1 que você hesitava em prescrever pode ser exatamente o que falta.
- Menos morfina, menos CPRE, menos cirurgia pancreática. Esse sinal em real-world muda a conversa sobre GLP-1 além do eixo glicêmico.
- A contraindicação histórica de GLP-1 em pancreatite precisa ser revisitada caso a caso. O dogma está sendo testado nos dados reais.
Medicina do Esporte
Gabriel Ganley, fisiculturista de 22 anos, morreu de cardiomiopatia hipertrófica (CMH), conforme declaração de óbito. A CMH é a principal causa de morte súbita cardíaca em atletas jovens e frequentemente passa despercebida em exames de rotina sem ecocardiograma ou ECG específico. Em populações que praticam musculação intensa, o risco de hipertrofia patológica se superpõe à hipertrofia fisiológica do atleta, tornando o diagnóstico diferencial mais complexo. O caso reforça a indicação de triagem cardiológica estruturada antes de protocolos de alta intensidade, especialmente em jovens com histórico familiar.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- ECG normal não exclui cardiomiopatia hipertrófica. Em atleta jovem de musculação, o ecocardiograma não é opcional.
- Hipertrofia do atleta ou hipertrofia patológica: a balança não diferencia. O ecocardiograma sim.
- 22 anos, fisiculturista, morte súbita. Antes de liberar o próximo paciente para treino de alta intensidade, pergunte sobre síncope, dispneia aos esforços e história familiar.
Hormonal
Relatos crescentes de mulheres que usam anti-histamínicos H1 para aliviar névoa mental, fadiga e sintomas de TPM e perimenopausa ganham espaço na mídia e chegam ao consultório. O mecanismo proposto envolve histamina como modulador de estrogênio: a queda estrogênica reduz a enzima DAO, eleva histamina endógena e amplifica sintomas vasomotores e cognitivos. Não há ensaio clínico randomizado de qualidade que valide essa prática. O médico deve estar preparado para a pergunta, mapear uso espontâneo na anamnese e redirecionar para terapias com evidência (TRH, antidepressivos, fitoestrógenos com evidência).
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- A paciente na menopausa que toma loratadina por conta própria para névoa mental não está sendo irracional. Está sendo mal orientada.
- Histamina e estrogênio compartilham enzima de degradação. Quando o estrogênio cai, a histamina sobra. A biologia explica o uso; a evidência ainda não valida.
- Pergunte na consulta: 'Toma algum antialérgico regularmente?' A resposta pode revelar um sintoma de perimenopausa sem diagnóstico.
Diretrizes
Estudo da Unifesp a ser publicado em agosto no Lancet Regional Health Americas projeta que o Brasil não cumprirá a maioria das metas para controle de doenças crônicas não transmissíveis até 2030. O cenário prevê queda no tabagismo, mas aumento no consumo de álcool e ultraprocessados. Para endócrinos e nutrólogos, isso se traduz em pressão crescente de demanda: mais obesidade, mais diabetes tipo 2, mais resistência insulínica chegando ao consultório. Planejar capacidade de atendimento e protocolos de rastreio metabólico precoce é uma resposta prática ao dado.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- Menos cigarro, mais ultraprocessado: o Brasil trocou um fator de risco por outro. A carga de DCNT não vai cair até 2030.
- A agenda de prevenção funcionou para o tabaco. Não funcionou para a comida. Entender por quê é tarefa clínica, não só de política pública.
- Toda vez que o paciente diz que parou de fumar mas engordou 15 kg, ele está vivendo essa projeção do Lancet em tempo real.
Suplementação
Coluna da neurocientista Suzana Herculano-Houzel na Folha explora o acúmulo progressivo de ferro nos neurônios como mecanismo de envelhecimento cerebral, descrito literalmente como 'enferrujamento'. O excesso de ferro neuronal gera estresse oxidativo, dano mitocondrial e morte celular. O dado é relevante para a prática clínica porque suplementação indiscriminada de ferro em idosos sem anemia confirmada pode acelerar esse processo. Rastrear ferritina e transferrina em idosos não é só hematologia: é neuroprevenção. Evite suplementar ferro sem indicação clara, especialmente em pacientes com risco neurodegenerativo.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- Suplementar ferro em idoso sem anemia confirmada pode não ser inofensivo. O cérebro acumula esse mineral com a idade.
- Ferritina alta em idoso saudável não é tranquilizante. Pode ser sinal de acúmulo de ferro tecidual, inclusive neuronal.
- Toda vez que prescrever ferro para um paciente acima de 65 anos, cheque se há déficit real. O excesso tem endereço: os neurônios.
Diretrizes
O HHS demitiu os dois últimos presidentes do U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF), órgão independente que define recomendações de rastreio baseadas em evidência nos EUA. Sem quórum funcional, novas diretrizes de rastreio ficam suspensas, afetando condutas em câncer, dislipidemia, obesidade e diabetes. Para médicos brasileiros, o impacto é indireto mas real: muitas diretrizes da SBD, SBC e ABESO referenciam o USPSTF. Acompanhe as entidades nacionais para atualizações autônomas e mantenha rastreio baseado nas diretrizes brasileiras vigentes enquanto o cenário americano se resolve.
Fonte: MedPage Today
3 ganchos
- O órgão que define quando rastrear câncer de cólon, dislipidemia e obesidade nos EUA está sem liderança. As diretrizes americanas estão em pausa.
- Quando a referência de rastreio some, o vácuo é preenchido por opinião. Esse é o risco real da desmontagem do USPSTF.
- Médico brasileiro que usa guideline americano como base: verifique se a recomendação que você cita ainda tem respaldo institucional.
Mercado
O grupo Fleury inaugurou unidade especializada em envelhecimento saudável em São Paulo, sinalizando aposta estratégica num mercado crescente que inclui rastreio de sarcopenia, composição corporal, modulação hormonal e medicina de longevidade. A movimentação de laboratório de grande porte para esse segmento indica aumento de demanda por exames de DEXA, painéis hormonais completos e biomarcadores de envelhecimento metabólico. Para médicos que atuam nessa área, isso pode ampliar o acesso a exames antes restritos a centros especializados e reduzir o custo por economia de escala. Acompanhe o portfólio de exames da unidade para calibrar sua solicitação.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- Quando o maior laboratório do Brasil aposta em envelhecimento saudável, o mercado está respondendo a uma demanda que você já vê no consultório.
- DEXA, painel hormonal, biomarcadores de senescência: a longevidade saiu do consultório de elite e entrou no laboratório de rede.
- A pergunta não é mais se seus pacientes vão querer rastreio de composição corporal. É se você vai ter protocolo pronto quando eles pedirem.
Diretrizes
Os ensaios de fase 3 B-Well 1 e B-Well 2, publicados no NEJM, mostraram que bepirovirsen (GSK) levou a cura funcional em 1 em cada 5 pacientes com hepatite B crônica após descontinuação de análogos de nucleosídeos. O desfecho foi significativamente superior ao placebo. Hepatite B crônica é relevante para o endocrinologista porque pacientes com a doença têm risco aumentado de resistência insulínica, esteatose hepática e hepatocarcinoma. A possibilidade de cura funcional muda o horizonte terapêutico de controle vitalício para resolução. Acompanhe aprovação regulatória antes de incorporar na prática.
Fonte: NEJM
3 ganchos
- Hepatite B crônica e resistência insulínica andam juntas. Um tratamento que cura a primeira pode melhorar a segunda.
- 1 em cada 5 pacientes com hepatite B crônica atingiu cura funcional. Isso muda a conversa de controle vitalício para desfecho definitivo.
- Antes de renovar o análogo de nucleosídeo do paciente com HBV, pergunte ao hepatologista se bepirovirsen já tem caminho regulatório disponível.
Suplementação
Pesquisas sobre acúmulo de ferro em neurônios ao longo da vida estão na agenda da neurociência do envelhecimento. O excesso de ferro livre catalisa reações de Fenton, gera radicais hidroxil e danifica membranas mitocondriais. Em idosos praticantes de musculação e com suplementação nutricional intensiva, a questão se torna clinicamente relevante: suplementos multivitamínicos com ferro, proteínas enriquecidas com micronutrientes e compostos de recuperação podem conter ferro sem indicação. Solicite ferritina sérica antes de prescrever qualquer suplemento com ferro em pacientes acima de 60 anos. Sem déficit documentado, o risco supera o benefício.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- Multivitamínico com ferro para o atleta master: inofensivo só se a ferritina estiver baixa. Do contrário, é acúmulo com endereço neuronal.
- O suplemento que seu paciente de 65 anos comprou na farmácia pode ter ferro sem ele precisar. Isso tem consequência.
- Musculação protege o neurônio pelo exercício. Suplementação errada pode agredi-lo pelo ferro. O balanço importa.