Regulação
Decisões da Justiça Federal autorizam importação individual de semaglutida e tirzepatida do Paraguai, criando conflito direto com a regulação da Anvisa. O tema foi coberto em dois ângulos distintos pela Folha: o embate jurídico sobre competência regulatória e a cadeia informal de comércio fronteiriço que já opera abertamente. O risco clínico está na ausência de rastreabilidade, falsificação e armazenamento inadequado. Para o médico, o cenário exige orientação proativa ao paciente: canetas sem procedência rastreável implicam dose incerta, conservação duvidosa e ausência de farmacovigilância.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- O paciente comprou a caneta em Ciudad del Este e vai te mostrar o comprovante na próxima consulta. O que você vai fazer?
- Decisão judicial autoriza importação. Anvisa proíbe. O médico fica no meio sem amparo claro. Isso é um problema de conduta, não só jurídico.
- Caneta sem rastreabilidade não é GLP-1 mais barato. É GLP-1 com dose incerta, conservação desconhecida e zero farmacovigilância.
Regulação
O Conselho Federal de Medicina publicou resolução proibindo o uso de polimetilmetacrilato (PMMA) como preenchedor, tanto em procedimentos estéticos quanto reparadores, com vigência a partir de 2 de junho de 2026. A medida é vinculante para todos os médicos brasileiros. PMMA é um preenchedor permanente associado a complicações tardias graves, incluindo granulomas e deformações de difícil correção. O médico que ainda utiliza o produto em sua prática deve suspender imediatamente e orientar pacientes com preenchimento prévio sobre sinais de complicação. Procedimentos já realizados não são cobertos pela proibição, mas o manejo de complicações segue sendo responsabilidade do prescritor.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- PMMA proibido a partir de terça. Se ainda está no seu protocolo estético, o prazo para tirar acabou ontem.
- Paciente que fez preenchimento permanente há cinco anos e volta com nódulo na face: o médico anterior pode não existir mais, mas o problema existe.
- A proibição do PMMA não resolve o estoque de complicações já instaladas. Essa fila chega ao consultório nos próximos meses.
Hormonal
O Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism publicou artigo de revisão dedicado à abordagem do excesso androgênico em mulheres pós-menopáusicas. O texto enfatiza a necessidade de excluir etiologias malignas e síndromes genéticas antes de qualquer manejo. A transição menopausal altera a produção androgênica de forma significativa, e a ausência de referências laboratoriais validadas para essa fase é um obstáculo reconhecido. O artigo reforça que a causa mais comum não é neoplásica, mas que a investigação estruturada é mandatória. Para o endocrinologista, serve como protocolo de estratificação de risco: quando investigar por imagem, quando solicitar genética e quando tratar sem investigação adicional.
Fonte: JCEM
3 ganchos
- Androgênios elevados em mulher pós-menopausa não é só 'resultado fora do padrão'. Pode ser tumor adrenal ou ovariano até prova em contrário.
- A maioria dos casos de hiperandrogenismo pós-menopausa não é maligna. Mas o protocolo de exclusão tem que acontecer antes de qualquer tratamento.
- Toda vez que chega um exame de testosterona alta em paciente de 58 anos, a pergunta seguinte não é 'vou repor estrogênio?'. É 'onde está produzindo?'
Hormonal
Estudo publicado no JCEM avaliou qualidade de vida em pacientes com insuficiência adrenal secundária induzida por inibidores de checkpoint imunológico (ICI-SAI) versus outras causas de insuficiência adrenal secundária. Pacientes com ICI-SAI relataram melhor qualidade de vida apesar de taxas similares de crise adrenal. Os autores atribuem o resultado ao diagnóstico mais precoce e ao contexto clínico diferenciado desses pacientes. A implicação prática é direta: oncologistas e endocrinologistas devem rastrear ativamente insuficiência adrenal em pacientes em imunoterapia, pois o diagnóstico oportuno parece modular desfechos centrados no paciente, não apenas a sobrevida.
Fonte: JCEM
3 ganchos
- Paciente em imunoterapia com fadiga persistente e sódio baixo: rastrear insuficiência adrenal não é opcional, é parte do protocolo.
- ICI-SAI diagnosticada cedo tem melhor qualidade de vida que insuficiência adrenal de outras causas. O diagnóstico precoce faz diferença aqui.
- O endócrino que acompanha paciente oncológico vai ver mais insuficiência adrenal induzida por checkpoint nos próximos anos. Mais imunoterapia, mais efeito endócrino.
Mercado
Pesquisadores relataram redução de 62% nos níveis de colesterol após infusão única de terapia experimental de edição genética, segundo dados preliminares apresentados na última semana. O mecanismo e o alvo específico não foram detalhados pela fonte. Trata-se de estudo em fase inicial, sem dados publicados em periódico revisado até o momento. A relevância para o cardiologista e endocrinologista está na trajetória: se confirmados em fases posteriores, tratamentos de dose única para dislipidemia poderiam competir com PCSK9 mensal ou estatina diária em termos de adesão. Acompanhar publicação completa antes de qualquer consideração de protocolo.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- 62% de redução de colesterol com uma única infusão. Preliminar, sem peer review publicado. Mas se confirmar em fase 3, statina diária vai precisar justificar sua existência.
- O paciente que não toma estatina por 'não querer tomar remédio todo dia' vai perguntar sobre a injeção única. Você precisa ter resposta sobre o nível de evidência.
- Edição genética para colesterol ainda é fase inicial. A distância entre 'resultado impressionante' e 'aprovado para prescrição' costuma ser de uma década.
Mercado
Estudo de coorte pareada publicado pelo MedPage Today identificou associação entre uso de inibidor de PCSK9 e melhor sobrevida em pacientes com determinados tipos de câncer tratados com inibidores de checkpoint imunológico. O desenho é observacional, com limitações inerentes a confundimento. O mecanismo proposto envolve modulação da sinalização lipídica em células imunes, mas dados causais ainda não estão disponíveis. A implicação prática imediata é limitada: não há indicação de iniciar PCSK9i com esse objetivo. Contudo, em paciente oncológico com dislipidemia estabelecida e candidato a imunoterapia, o controle lipídico agressivo ganha mais um argumento.
Fonte: MedPage Today
3 ganchos
- Inibidor de PCSK9 pode melhorar resposta à imunoterapia? O dado é observacional, mas o mecanismo imunometabólico é biologicamente plausível.
- Paciente oncológico com LDL alto em imunoterapia: controlar o colesterol já tinha indicação cardiovascular. Agora pode ter mais um motivo.
- Coorte pareada não prova causalidade. Mas quando o dado aponta na mesma direção que a biologia, vale monitorar os próximos ensaios clínicos.
Diretrizes
Ensaio clínico randomizado unicêntrico publicado no EASL 2026 demonstrou que MRI abreviada com contraste (AMRI) teve desempenho superior ao ultrassom no rastreio de hepatocarcinoma precoce em pacientes com cirrose de alto risco. A taxa de detecção precoce foi significativamente maior com AMRI, embora dados numéricos específicos não tenham sido detalhados pela fonte. O resultado é relevante para nutrólogos e hepatologistas que acompanham pacientes com cirrose metabólica (MASLD/NASH), população crescente nos consultórios de composição corporal. A mudança de conduta depende de disponibilidade local e custo, mas o dado reforça a limitação conhecida do ultrassom nessa população.
Fonte: MedPage Today
3 ganchos
- Ultrassom ainda é o padrão para rastreio de hepatocarcinoma. Mas em cirrótico obeso com janela acústica ruim, o exame que não vê bem não é rastreio, é protocolo no papel.
- MRI abreviada detecta hepatocarcinoma precoce melhor que ultrassom em cirróticos. O obstáculo agora é custo e disponibilidade, não evidência.
- Todo paciente com cirrose metabólica que você acompanha por composição corporal tem indicação formal de rastreio de hepatocarcinoma. Revise quem está fazendo ultrassom de 6 em 6 meses e quando foi o último.
Diretrizes
Revisão publicada no Best Practice & Research Clinical Endocrinology & Metabolism mapeia o sofrimento emocional relacionado ao diabetes (diabetes distress) no Sul da Ásia, com prevalência de 85% em pacientes com DM2 no Paquistão e 42% na Índia em metanálise de 2025. Diabetes distress é distinto de depressão e não responde a antidepressivos da mesma forma. A importância para o endocrinologista brasileiro está no reconhecimento clínico: paciente com HbA1c persistentemente descontrolada sem causa orgânica aparente pode estar sofrendo de distress, não de má adesão intencional. Instrumentos validados como o PAID-5 podem ser aplicados em minutos na consulta.
Fonte: Best Practice Clinical Endo & Metab
3 ganchos
- HbA1c que não cai apesar de ajuste de dose e dieta ajustada: antes de trocar o medicamento, pergunte como o paciente está se sentindo sobre ter diabetes.
- Diabetes distress não é depressão. Não responde igual a antidepressivo. E metanálise de 2025 mostra prevalência acima de 80% em alguns contextos.
- O PAID-5 tem 5 perguntas e leva 3 minutos. Se você não aplica nenhum instrumento de distress em paciente com DM2 descontrolado, está avaliando só metade do problema.
Diretrizes
O estado de São Paulo anuncia vacinação universal contra influenza para todos os indivíduos acima de seis meses de idade, a partir de 1º de junho de 2026, nos 645 municípios do estado. A ampliação ocorre em contexto de aumento de casos de SRAG em todas as faixas etárias, segundo dados do InfoGripe/Fiocruz. Para médicos que atendem populações de risco em nutrologia e endocrinologia, incluindo pacientes obesos, diabéticos e sarcopênicos, a vacinação influenza tem indicação estabelecida e agora acesso facilitado. Reforçar a orientação na consulta, especialmente para pacientes imunossuprimidos ou em uso de imunossupressores.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- Paciente obeso com DM2 em uso de GLP-1: a vacina de influenza tem indicação formal e agora está disponível para qualquer pessoa em SP a partir de segunda.
- Gripe em paciente sarcopênico pode custar duas semanas de massa muscular. Prevenção custa zero e está disponível no posto.
- Toda vez que o paciente pergunta 'preciso tomar essa vacina?', a resposta mudou: a partir de junho em SP, não precisa mais de grupo de risco para se vacinar.