Suplementação
O BPC-157, peptídeo derivado de proteína gástrica bovina, ganhou tração em fóruns de musculação e, agora, respaldo político informal via RFK Jr. nos EUA. A STAT News rastreou seu pesquisador central, Predrag Sikiric, e a trajetória de décadas em modelos animais. Não há ensaio clínico de fase III publicado em humanos. A ausência de dados robustos não freou o mercado: o composto circula em telehealth e fóruns brasileiros como acelerador de recuperação muscular e cicatrização. Para o médico, a posição defensável é clara: sem fase III, sem prescrição. A demanda do paciente, porém, chegou ao consultório.
Fonte: STAT News
3 ganchos
- BPC-157 não tem ensaio clínico de fase III. Mas o paciente já chegou no consultório com o frasco na mão pedindo para você validar.
- Quando um peptídeo vira pauta política antes de virar dado clínico, o médico precisa saber a história antes de responder a pergunta da consulta.
- Toda vez que alguém cita 'recuperação acelerada com BPC-157', pergunte: em qual n? Em qual desfecho humano? Em geral, a resposta é modelo animal de rato.
Regulação
Um editorial da MedPage Today aponta que peptídeos antes restritos a fóruns de fisiculturismo migraram para clínicas de telehealth que os prescrevem sem indicação FDA-aprovada, com protocolos de podcasters como referência. O texto questiona diretamente: quem determina que um medicamento é arriscado demais? No Brasil, o cenário é análogo: peptídeos como TB-500, BPC-157 e fragmentos de GH circulam em manipuladas sem regulação consolidada. Para o médico prescriptor, o risco jurídico e clínico é real. Documentar a ausência de evidência e o consentimento informado do paciente é o mínimo defensável hoje.
Fonte: MedPage Today
3 ganchos
- Peptídeo manipulado sem registro não é suplemento nem medicamento aprovado. É uma zona cinzenta que o médico assume inteiro quando assina a receita.
- O paciente leu o protocolo no podcast, comprou na farmácia de manipulação e chegou pedindo autorização. Quem responde pelo efeito adverso?
- Antes de prescrever qualquer peptídeo off-label, documente: ausência de fase III, consentimento informado e raciocínio clínico escrito. Isso não é burocracia, é defesa.
Suplementação
Ensaio clínico randomizado publicado no Journal of the ISSN testou 12 semanas de treinamento intervalado resistido-aeróbico com ou sem fisetin em homens obesos. O grupo com fisetin apresentou elevação de Maresin-1, queda de IL-6, TNF-α, glicemia de jejum e HOMA-IR versus treino isolado. O n e os valores exatos não foram detalhados no resumo disponível. Fisetin é um flavonoide com propriedade senolítica, ainda sem protocolo de dosagem estabelecido para uso clínico humano. O estudo abre ângulo para a combinação exercício + composto anti-inflamatório em pacientes com síndrome metabólica, mas aguarda replicação em amostras maiores.
Fonte: Journal of the ISSN
3 ganchos
- Fisetin + exercício reduziu HOMA-IR e IL-6 em obesos. O dado é preliminar, mas a lógica senolítica começa a ganhar suporte além do modelo animal.
- Treino já resolve inflamação em obesos. A pergunta do RCT é se fisetin acrescenta algo além do exercício. A resposta parcial foi sim, mas o n ainda é pequeno.
- Antes de recomendar fisetin no consultório, saiba que não há dose estabelecida para humanos e que o estudo ainda aguarda replicação em amostra maior.
Suplementação
RCT de 8 semanas publicado no Journal of the ISSN avaliou suplementação de beta-alanina associada a treinamento pliométrico de membros superiores em nadadores masculinos treinados. O grupo com beta-alanina apresentou maior potência anabólica, capacidade anaeróbica e melhor perfil imunoendócrino comparado ao treino isolado. Os detalhes de dosagem e valores absolutos não foram disponibilizados no resumo. Beta-alanina é um dos suplementos com maior base de evidência para esportes de alta intensidade. Para o médico do esporte, o dado reforça a prescrição combinada com estímulo de potência específico da modalidade, não apenas com treino de força convencional.
Fonte: Journal of the ISSN
3 ganchos
- Beta-alanina já tem evidência sólida em esportes de alta intensidade. Agora, o novo dado sugere que o ganho é maior quando combinada com pliometria específica da modalidade.
- Nadador de competição não é paciente sedentário. A prescrição de suplemento precisa ser tão periodizada quanto o treino dele.
- Toda vez que você prescreve beta-alanina sem especificar o tipo de treino de suporte, está deixando parte do efeito na mesa.
Emagrecimento
Estudo publicado na Obesity (Silver Spring) identificou que risco de food addiction em jovens se associa a maior acúmulo de gordura abdominal, com possível mediação pela estrutura da ínsula esquerda e conectividade ínsula-estriato. Comer atento (mindful eating) aparece como fator protetor no modelo. O dado é relevante para triagem precoce em pacientes pediátricos e adolescentes com adiposidade visceral desproporcional ao IMC. Para o nutrólogo e endócrino pediátrico, o ângulo muda a abordagem: avaliar padrão comportamental alimentar antes de intensificar restrição calórica pode ser mais efetivo do que ajustes puramente nutricionais.
Fonte: Obesity (Silver Spring)
3 ganchos
- Jovem com gordura abdominal desproporcional ao IMC pode ter vício alimentar como motor. Restringir caloria sem endereçar isso tem taxa de recaída alta.
- A ínsula esquerda aparece como correlato neural do comer compulsivo em jovens. Neurobiologia de obesidade começa na adolescência, não na vida adulta.
- Antes de prescrever déficit calórico para um adolescente com adiposidade visceral, pergunte sobre o padrão alimentar emocional. O dado agora tem anatomia.
Composição Corporal
O médico da Casa Branca declarou Donald Trump em 'excelente saúde' após exame no Walter Reed, com IMC aproximando-se da faixa de obesidade segundo a MedPage Today. O caso não é sobre política: é sobre como IMC elevado sem comorbidades documentadas ainda recebe atestado de saúde plena na medicina ocidental. Para o endócrino e nutrólogo, o episódio ilustra a dissociação frequente entre composição corporal real e laudo médico. IMC próximo de 30 kg/m² não é criterio suficiente para 'excelente'. Peça DEXA, circunferência abdominal e marcadores metabólicos antes de qualquer atestado de aptidão funcional.
Fonte: MedPage Today
3 ganchos
- IMC próximo de 30 com 'excelente saúde' no laudo é o retrato do que a medicina ainda aceita chamar de normal. O consultório de composição corporal discorda.
- Toda vez que um laudo diz 'saudável' sem DEXA e circunferência abdominal, está medindo saúde com a ferramenta errada.
- O caso Trump não é político. É clínico: como um sistema médico de alto nível ainda usa IMC como proxy de saúde em 2026.
Hormonal
Estudo apresentado no ASCO 2026 mostrou que apalutamida associada à terapia de privação androgênica (ADT) no período perioperatório reduziu significativamente o risco de metástase em pacientes com câncer de próstata localizado de alto risco. O trial foi descrito como paradigm-changing pela cobertura do congresso. Para o endocrinologista e urologista, o dado reposiciona o timing da hormonioterapia: antes da cirurgia, não apenas no cenário de recaída. A modulação androgênica perioperatória agora tem suporte de fase III e pode integrar protocolo multidisciplinar em centros oncológicos brasileiros de referência.
Fonte: MedPage Today
3 ganchos
- ADT antes da cirurgia em câncer de próstata de alto risco: o ASCO 2026 trouxe o dado de fase III que faltava para mudar o timing da prescrição hormonal.
- Modulação androgênica não é só pós-recaída. O novo trial mostra que o momento perioperatório é onde a privação androgênica faz diferença em desfecho.
- Endocrinologista que acompanha paciente com câncer de próstata de alto risco precisa saber desse dado antes da próxima reunião com a equipe cirúrgica.
Hormonal
Segundo estudo apresentado no ASCO 2026, reportado pela STAT News, hormonioterapia aplicada antes da cirurgia em câncer de próstata demonstrou resultados encorajadores na redução da taxa de recaída pós-operatória. O dado complementa o trial de apalutamida e ADT perioperatória e reforça a convergência em torno do uso precoce de supressão androgênica. Para o médico brasileiro que acompanha casos de câncer de próstata em contexto multidisciplinar, a mensagem é operacional: a janela neoadjuvante deixou de ser experimental e começa a se consolidar como standard em pacientes de alto risco antes do procedimento cirúrgico.
Fonte: STAT News
3 ganchos
- Hormonioterapia antes da cirurgia em próstata agora tem dado de fase III mostrando queda de recaída. O protocolo neoadjuvante saiu do especulativo.
- Dois estudos no ASCO 2026 convergem: suprimir andrógeno antes do bisturi reduz desfecho adverso em próstata de alto risco. Convergência é sinal.
- Se o paciente vai para prostatectomia com alto risco, a pergunta deixou de ser 'hormônio depois?' e passou a ser 'por quanto tempo antes?'
Medicina do Esporte
Reportagem da Folha baseada em dados científicos aponta que crianças globalmente ativas são minoria e que a inatividade se associa ao aumento da obesidade infantil, afetando uma em cada dez crianças no levantamento citado. O dado é consistente com publicações anteriores, mas ganha peso no contexto do Brasil, onde obesidade pediátrica cresce e a prescrição de atividade física ainda é genérica no pré-natal e puericultura. Para nutrólogos e endocrinologistas pediátricos, o dado reforça que metas de movimento precisam integrar a consulta de rotina desde os primeiros anos, não apenas quando o IMC já está alterado.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- Uma em cada dez crianças já tem obesidade. A prescrição de movimento na puericultura ainda é 'brincar mais'. Precisa ser mais específico do que isso.
- Criança sedentária vira adulto com síndrome metabólica. O consultório pediátrico é onde esse ciclo pode ser interrompido antes do primeiro exame alterado.
- Toda vez que o IMC pediátrico chega alterado na consulta, já perdemos o momento ideal de intervenção. Atividade física precisa entrar antes disso.
Emagrecimento
Reportagem da Folha com especialista em obesidade questiona a narrativa de 'calorias in, calorias out' como fórmula universal, ressaltando que mecanismos hormonais, neurais e adaptativos interferem na perda ponderal. O ângulo editorial é relevante porque chega ao paciente leigo e molda expectativas antes da consulta. Para o médico, o impacto prático é de gestão de expectativa: pacientes chegarão citando que 'não existe fórmula única', o que pode facilitar a conversa sobre abordagem multimodal. Reforça a necessidade de educar sobre termogênese adaptativa, set point e o papel dos agonistas de GLP-1 como moduladores desse sistema.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- Déficit calórico é necessário, mas não suficiente. Quando o paciente aprende isso na imprensa antes de chegar no consultório, a consulta pode ser muito mais produtiva.
- Termogênese adaptativa, set point e saciedade hormonal: o 'coma menos e mova mais' nunca foi a história completa. A grande mídia finalmente está dizendo isso.
- Toda vez que um paciente diz 'faço tudo certo mas não emagreço', a resposta não é 'você está mentindo'. É: o sistema de regulação energética é mais complexo do que a conta.
Diretrizes
A OMS e o governo do Congo confirmaram surto de Ebola por vírus Bundibugyo na Província de Ituri, com mais de 1.100 casos suspeitos reportados pela União Africana. No Brasil, dois casos suspeitos em São Paulo e Rio de Janeiro foram investigados: o de SP foi descartado (diagnóstico de meningite), e o do Rio permanecia em investigação até o fechamento desta edição. O impacto direto para médicos brasileiros é reconhecer apresentação clínica compatível em paciente com histórico de viagem à África Central e acionar protocolo de isolamento e notificação ao CVE estadual antes de qualquer investigação complementar.
Fonte: WHO News
3 ganchos
- Dois casos suspeitos de Ebola investigados no Brasil em 48 horas. O protocolo de isolamento e notificação não é teórico: é o que você faz na próxima segunda-feira se aparecer um.
- Bundibugyo é sorotipo menos letal que Zaire, mas a conduta inicial é idêntica: isolamento, notificação e espera do PCR antes de qualquer diagnóstico alternativo.
- O caso de São Paulo foi meningite. O do Rio estava em investigação. Febre hemorrágica em viajante vindo da África Central entra no diferencial até prova em contrário.
Regulação
Decisões judiciais de primeira e segunda instância no Brasil determinam que operadoras apliquem aos contratos de 'falso coletivo' os mesmos índices de reajuste ANS válidos para planos individuais e familiares. O impacto para médicos que prescrevem composição corporal é concreto: esses contratos frequentemente cobriam medicamentos de alto custo, incluindo análogos de GLP-1 sob autorização judicial. Com o reajuste ANS limitado, operadoras podem revisar coberturas e aumentar glosas. Monitore o impacto nas autorizações de semaglutida e tirzepatida nos próximos 60 dias em planos com este perfil contratual.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- Falso coletivo com reajuste limitado ao índice ANS pode mudar o que o plano do seu paciente vai cobrir nos próximos meses. Isso inclui GLP-1 por via judicial.
- Decisão judicial que parece defender o consumidor pode reduzir cobertura de medicamentos de alto custo. O detalhe está no contrato do plano do paciente.
- Toda vez que o paciente diz 'meu plano cobre', vale checar se o contrato é individual, coletivo real ou falso coletivo. A resposta muda tudo no reembolso.