GLP-1
Revisão publicada no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism sistematiza evidências de que os agonistas de GLP-1 exercem ação anti-inflamatória independente da perda de peso e da melhora glicêmica, atuando em sistema cardiovascular, fígado, rins e tecido adiposo. O mecanismo envolve redução de citocinas pró-inflamatórias e modulação de vias como NF-κB. Para o clínico, o dado importa na tomada de decisão em pacientes com inflamação crônica de baixo grau, MAFLD, DRC ou risco cardiovascular elevado, mesmo sem diabetes. O efeito anti-inflamatório passa a ser argumento clínico adicional, não apenas bônus metabólico. Considere documentar marcadores inflamatórios (PCR-us, IL-6) antes e após 12 semanas de uso.
Fonte: JCEM
3 ganchos
- O GLP-1 não emagrece e depois melhora a inflamação. Ele faz os dois ao mesmo tempo, por vias diferentes.
- Paciente com MAFLD e PCR-us elevada: agora a escolha do antiobesidade tem um argumento inflamatório junto com o metabólico.
- Toda vez que o laudo diz 'esteatose grau 2', a conversa sobre GLP-1 ficou mais fácil de justificar.
Composição Corporal
Estudo transversal publicado pela MedPage Today com base em amostra nacional americana identificou que mais de 25% dos adultos com IMC entre 18,5 e 24,9 kg/m² preenchem critérios propostos para obesidade clínica quando avaliados por medidas funcionais e de composição corporal. O dado reacende o debate sobre a inadequação do IMC como único critério diagnóstico. Para o endocrinologista e nutrólogo brasileiro, o achado é diretamente aplicável: pacientes com 'peso normal' e adiposidade visceral elevada, força reduzida ou disfunção metabólica estão sendo subdiagnosticados. Use circunferência abdominal, DEXA ou BIA como ferramentas complementares rotineiras.
Fonte: MedPage Today
3 ganchos
- IMC 23 no relatório, gordura visceral alta na DEXA. O diagnóstico de obesidade não cabe mais em uma única medida.
- Toda vez que o paciente diz 'meu peso está normal', a balança ainda não contou tudo o que importa.
- Mais de 1 em cada 4 adultos com IMC normal podem ter obesidade clínica. O consultório ainda usa só a balança para decidir.
Composição Corporal
Estudo publicado em Metabolism identifica a annexina A2 (ANXA2), secretada pelo músculo esquelético, como mediadora do cruzamento metabólico músculo-fígado. A proteína ativa SREBP1c no fígado, estimulando lipogênese de novo e promovendo esteatose hepática associada a disfunção metabólica (MAFLD). O dado muda a perspectiva: o músculo não é apenas consumidor de glicose e lipídios, mas pode ser fonte de sinal patológico hepático. Para o clínico que prescreve composição corporal, o achado sugere que a qualidade do músculo (e não apenas a quantidade) pode afetar o fígado. Ainda sem aplicação terapêutica direta, mas abre caminho para biomarcadores e alvos futuros. Acompanhe transaminases em pacientes com sarcopenia e esteatose concomitantes.
Fonte: Metabolism
3 ganchos
- Músculo ruim não é só músculo ruim. Ele pode estar mandando sinal errado para o fígado ao mesmo tempo.
- Paciente com sarcopenia e TGO elevada sem álcool: a ANXA2 pode ser a ponte que faltava na explicação.
- A esteatose hepática do sedentário gordo já era conhecida. A do paciente com músculo disfuncional é o próximo capítulo.
Regulação
Levantamento da STAT News documenta que múltiplos estados americanos estão aprovando ou discutindo legislação que restringe a estrutura corporativa das empresas de telehealth direto ao consumidor. O alvo principal são plataformas que prescrevem GLP-1 e outros medicamentos com baixa supervisão médica. Para o mercado brasileiro, o paralelo é direto: o modelo de teleconsulta com prescrição rápida de semaglutida e tirzepatida enfrenta pressão regulatória crescente. O CFM e a Anvisa já sinalizam atenção ao tema. Médicos que operam nessas plataformas devem revisar protocolos de avaliação clínica inicial e seguimento para reduzir exposição regulatória.
Fonte: STAT News
3 ganchos
- Prescrever semaglutida em 3 cliques virou negócio. Agora é o negócio que está sendo regulado.
- O paciente que compra GLP-1 por app sem consulta presencial está exposto. O médico que assina a receita também.
- Toda vez que uma plataforma escala prescrição sem escalar avaliação clínica, o regulador vai aparecer mais cedo ou mais tarde.
Mercado
A Eli Lilly notificou mais de 1.000 hospitais participantes do programa 340B nos EUA para que submetam dados de claims em até cinco dias, sob risco de perda dos descontos sobre medicamentos, incluindo tirzepatida (Zepbound/Mounjaro). O movimento acelera a disputa entre fabricantes e sistema de saúde sobre transparência no uso do programa de desconto. Para o mercado brasileiro, o dado é estratégico: conflitos regulatórios como esse afetam política de preços global da Lilly e podem impactar negociações com o SUS e planos de saúde sobre acesso aos análogos de GLP-1/GIP. Acompanhe o desfecho para antecipar movimentos de precificação.
Fonte: STAT News
3 ganchos
- A Lilly está pedindo dados de prescrição antes de manter o desconto. O acesso ao GLP-1 começa a ter preço diferente dependendo de quem documenta o quê.
- Disputa de preço de tirzepatida nos EUA hoje é política de acesso no Brasil amanhã.
- Quando o fabricante ameaça retirar desconto de hospital, o paciente de menor renda costuma ser o primeiro a sentir.
Regulação
A partir de 2 de junho de 2026, o uso de PMMA (polimetilmetacrilato) como preenchedor estético ou reparador por médicos é infração ética, conforme resolução CFM publicada em 30 de maio. A única exceção é o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids em unidades de referência. O CFM sinalizou que buscará parceria com a Anvisa para banir o produto do mercado como passo seguinte. Para médicos que atuam com modulação hormonal em pacientes com HIV (e lipodistrofia associada), a exceção é a única janela legal remanescente. Revise contratos, protocolos e materiais de divulgação imediatamente.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- PMMA virou infração ética a partir de hoje. Se ainda está no cardápio do consultório, saiu da legalidade.
- A exceção para HIV e lipodistrofia existe, mas é restrita a unidade de referência. Consultório particular não se enquadra.
- CFM proibiu, Anvisa ainda não baniu do mercado. O produto some do médico antes de sair da prateleira.
Hormonal
Revisão publicada em Best Practice & Research Clinical Endocrinology & Metabolism aborda disfunção sexual em pacientes com diabetes tipo 2, com foco em populações sul-asiáticas, mas com dados aplicáveis ao contexto brasileiro. A condição é frequente, afeta qualidade de vida e relacionamentos, e raramente é abordada na consulta de rotina por barreiras culturais e comunicacionais. O estudo aponta que a disfunção sexual em DM2 não é exclusiva de homens: mulheres também são afetadas com alta prevalência. Para o endocrinologista, incluir uma pergunta estruturada sobre função sexual na anamnese de DM2 é medida simples com alto impacto na qualidade do cuidado.
Fonte: Best Practice Clinical Endo & Metab
3 ganchos
- A consulta de DM2 revisa glicada, PA e fundo de olho. A função sexual quase nunca entra na lista, mesmo sendo complicação documentada.
- Paciente com DM2 há mais de 5 anos e sem queixa sexual espontânea: a queixa provavelmente existe, mas ninguém perguntou.
- Uma pergunta sobre vida sexual na consulta de diabetes custa 30 segundos e pode revelar complicação que o exame de sangue não mostra.
Hormonal
O trial PROTEUS, publicado no NEJM e apresentado no ASCO 2026, randomizou pacientes com câncer de próstata localizado de alto risco ou localmente avançado para receber ADT mais apalutamida (antiandrogênico de segunda geração) ou ADT mais placebo no período perioperatório à prostatectomia radical. O grupo apalutamida apresentou melhores desfechos oncológicos, incluindo redução de metástase. Efeitos adversos foram mais frequentes no grupo tratado. Para endocrinologistas e nutrólogos que manejam homens em TDA (terapia de deprivação androgênica) pós-diagnóstico de próstata, o dado reforça a necessidade de monitorar composição corporal, densidade óssea e síndrome metabólica durante tratamento combinado prolongado.
Fonte: NEJM
3 ganchos
- TDA mais antiandrogênico perioperatório melhora sobrevida. Mas nenhum desses pacientes chega ao endócrino para monitorar o que essa combinação faz no osso e no músculo.
- Câncer de próstata de alto risco sobrevive mais. Agora precisa sobreviver com qualidade: massa óssea, músculo e metabolismo também são desfechos.
- Toda vez que o urologista adiciona apalutamida, o nutrólogo e o endócrino deveriam ser o próximo encaminhamento na fila.
Suplementação
O FDA emitiu alerta de segurança identificando tadalafila não declarada no suplemento 'Big Dick Energy!', comercializado para performance sexual masculina. O produto foi encontrado em canais de venda online. Embora o alerta seja americano, suplementos ilegais com inibidores de PDE5 adulterados circulam ativamente no Brasil via importação informal e e-commerce. Para o médico que prescreve suplementação e recebe pacientes que compram produtos de performance sem prescrição, o risco de interação com nitratos e hipotensão grave é real. Oriente ativamente sobre os canais de compra e solicite ao paciente que apresente rótulos antes de combinar com qualquer vasodilatador.
Fonte: MedPage Today
3 ganchos
- O paciente não vai espontaneamente contar que está tomando suplemento de performance sexual. Mas ele pode estar tomando tadalafila sem saber.
- Suplemento comprado no Instagram para 'energia masculina' pode ter inibidor de PDE5 dentro. Com nitrato prescrito, vira emergência hipertensiva às avessas.
- FDA alertou hoje sobre esse produto. O mesmo produto chega no Brasil pela importação informal semana que vem.
Suplementação
Caso clínico publicado na MedPage Today relata menina de 7 anos com claudicação e dor em membros inferiores cujo diagnóstico final foi raquitismo, uma condição considerada 'doença do passado'. O caso dependeu de anamnese alimentar detalhada para ser elucidado. O achado é relevante para nutrólogos e pediatras brasileiros: deficiência grave de vitamina D com manifestação óssea clínica ainda ocorre em crianças com dietas restritivas, aleitamento exclusivo prolongado sem suplementação ou baixa exposição solar. Rastreie 25(OH)D em crianças com dor musculoesquelética inexplicada antes de investigar causas reumatológicas ou ortopédicas.
Fonte: MedPage Today
3 ganchos
- Raquitismo em 2026. A doença não sumiu, a pergunta sobre alimentação na consulta pediátrica é que sumiu.
- Criança com dor na perna e mancar: antes do ortopedista, vale perguntar quanto de sol e quantas fontes de vitamina D existem na dieta.
- Deficiência grave de vitamina D com manifestação óssea ainda acontece. O exame que detecta custa menos do que o tempo gasto no diagnóstico tardio.
Medicina do Esporte
Reportagem da Folha de S.Paulo documenta aceleração abrupta de mortes por influenza no Brasil em 2026, com quase 30% do total de óbitos registrados nas últimas duas semanas da série histórica. O dado é relevante para clínicos que manejam pacientes imunossuprimidos, obesos, diabéticos e em uso de corticosteroides. Essas populações têm maior risco de desfecho grave por influenza e frequentemente chegam ao consultório de nutrologia, endocrinologia ou medicina do esporte sem cobertura vacinal atualizada. Verifique o status vacinal de todo paciente em risco nesta consulta e documente. A campanha de vacinação em SP foi ampliada para toda a população a partir de 1º de junho.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- Paciente obeso em uso de GLP-1 é imunologicamente vulnerável à gripe. A pergunta sobre vacina cabe na mesma consulta da caneta.
- Quase 30% das mortes por influenza em 2026 aconteceram nas últimas 2 semanas. A temporada não avisa antes de acelerar.
- Diabético, obeso e sem vacina para influenza: são três fatores de risco empilhados que o consultório pode resolver com uma conversa de 1 minuto.