GLP-1
O agonista oral de GLP-1 pequena molécula elecoglipron mostrou perda de peso em obesos e melhora de controle glicêmico em DM2 em dois trials randomizados globais de fase 2 apresentados no ADA 2026. Dados exatos de percentual de perda e perfil de tolerabilidade ainda não estão publicados integralmente, mas o duplo sinal clínico, obesidade e DM2, reforça o posicionamento da Pfizer na disputa por GLP-1 oral. O mercado brasileiro de pacientes que rejeitam injeção ou têm dificuldade de acesso à caneta é expressivo. Orforglipron (Lilly) e elecoglipron (Pfizer) agora compõem um pipeline oral concreto. Monitore os dados completos de fase 3 antes de qualquer estimativa de chegada ao Brasil.
Fonte: MedPage Today
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- Paciente que tem medo de agulha, viaja muito ou esquece geladeira: o GLP-1 oral deixou de ser hipótese e virou pipeline real.
- Dois targets diferentes, um comprimido: elecoglipron sugere que a disputa por GLP-1 oral vai ser mais competitiva do que o mercado imagina.
- Antes de prometer GLP-1 oral ao paciente, lembre que fase 2 e aprovação regulatória no Brasil têm uma distância de anos entre elas.
Regulação
O FDA indicou intenção de ampliar disponibilidade de peptídeos sem aprovação formal, para os quais há pouca evidência de segurança e eficácia, segundo artigo do JAMA. No mesmo ciclo, delegados da AMA aprovaram resolução exigindo regulação mais rígida desses compostos. O movimento do FDA vai na direção oposta ao que a comunidade médica pede. Para o nutrólogo e endocrinologista brasileiro, o risco prático é duplo: pacientes chegam ao consultório pedindo BPC-157, TB-500 e análogos apresentando publicações americanas pró-acesso como aval científico. A recomendação objetiva é registrar em prontuário a ausência de evidência clínica robusta e a natureza off-label de qualquer prescrição desses compostos.
Fonte: JAMA
3 ganchos
- O paciente chegou com print de site americano dizendo que o FDA vai liberar o peptídeo. Isso não é aprovação. É sinal de alerta.
- Toda vez que a regulação afrouxa, o consultório vira o único filtro entre o paciente e o composto sem dado de segurança.
- AMA pedindo mais controle enquanto o FDA abre porta: quando duas autoridades do mesmo país divergem assim, o médico brasileiro precisa escolher de qual lado estar na prescrição.
Diretrizes
Proposta de dividir obesidade em categorias pré-clínica e clínica, usando critérios além do IMC, gerou resposta crítica significativa publicada no JAMA. O debate tem implicação direta para o endocrinologista: a categorização influencia quem recebe farmacoterapia, quem entra em protocolo cirúrgico e como o sistema de saúde codifica e reembolsa o diagnóstico. No Brasil, onde critérios de cobertura de GLP-1 pelos planos ainda são instáveis, uma mudança de framework pode tanto ampliar acesso quanto criar novas barreiras burocráticas. Acompanhe o posicionamento das sociedades brasileiras (ABESO, CFM) sobre adoção desse modelo antes de mudar linguagem diagnóstica nos laudos.
Fonte: JAMA
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- IMC 31 com gordura visceral alta e síndrome metabólica: é obesidade pré-clínica ou clínica? A resposta vai definir se o plano cobre o tratamento.
- Mudar o critério diagnóstico de obesidade sem mudar o sistema de reembolso é criar mais burocracia, não mais acesso.
- O paciente com peso 'normal' mas 38% de gordura corporal no DEXA precisa de um código CID e de uma justificativa de cobertura. O novo framework pode ajudar ou atrapalhar isso.
Diretrizes
A American Heart Association publicou a primeira diretriz americana dedicada à síndrome cardiovascular-renal-metabólica (CKM), integrando manejo de obesidade, DM2, DRC e risco cardiovascular em um único framework de cuidado. Simultaneamente, estudo publicado na semana relacionou progressão da síndrome CKM ao risco de câncer. Para o endocrinologista brasileiro, a diretriz formaliza o que já se pratica em parte: tratar o paciente metabólico como um sistema único, não por órgão. A novidade operacional é o estadiamento formal da síndrome (estágios 0 a 4) que orienta escalada terapêutica. Verifique compatibilidade com protocolos da SBC e SBD antes de adotar o estadiamento na rotina.
Fonte: MedPage Today
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- Paciente com obesidade, TFG 55 e HbA1c 7,2%: cardiologista, nefrologista e endocrinologista prescrevem em paralelo. A diretriz CKM propõe que isso acabe.
- Estadiar a síndrome CKM antes de escalar farmacoterapia pode evitar tanto subtratamento quanto polifarmácia desnecessária.
- Toda vez que o paciente tem três especialistas e nenhum coordenador, o risco cardiometabólico está sendo gerido por omissão.
Hormonal
Revisão sistemática e meta-análise de RCTs publicada no Metabolism avaliou efeitos de antirreabsortivos (bisfosfonatos e denosumabe) na saúde óssea de homens com câncer de próstata não metastático em privação androgênica (ADT). A terapia de deprivação androgênica acelera perda óssea e aumenta risco de fratura, complicação frequentemente ignorada no seguimento oncológico. O estudo confirma benefício dos antirreabsortivos na densidade mineral óssea e redução de fraturas nessa população. Para o endocrinologista que acompanha o componente metabólico desses pacientes, rastreio de densitometria e suplementação de cálcio e vitamina D devem ser rotina desde o início do ADT, não após primeira fratura.
Fonte: Metabolism
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- Homem com câncer de próstata em ADT há 18 meses: já pediu densitometria? Fratura vertebral silenciosa não aparece no PSA.
- Oncologista trata o tumor. Endocrinologista trata o que o tratamento do tumor provoca. Em ADT, isso inclui osso, composição corporal e metabolismo.
- Esperar a fratura para iniciar antirreabsortivo em homem em ADT é o equivalente a esperar o infarto para prescrever estatina.
Suplementação
RCT duplo-cego crossover publicado no Metabolism testou suplementação aguda de cetona monoéster em homens mais velhos com sobrepeso. A cetose nutricional modulou diferentemente a resposta insulínica cerebral, reduzindo fluxo sanguíneo cerebral induzido por insulina em regiões insulin-sensitivas, e promoveu melhoras modestas em atenção e velocidade psicomotora. O n não foi detalhado no resumo disponível. O dado é relevante para o profissional que usa cetogênica ou suplementação de cetonas em pacientes com obesidade e declínio cognitivo subjetivo. O efeito, ainda que modesto, abre hipótese de eixo insulina-cérebro como alvo. Não extrapole para recomendação de rotina sem dado de uso crônico.
Fonte: Metabolism
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- Cetona como suplemento não é dieta cetogênica. Os mecanismos se sobrepõem, mas a magnitude e a duração do efeito são completamente diferentes.
- Paciente com sobrepeso e queixa de névoa mental: o eixo insulina-cérebro ainda é pouco explorado na consulta metabólica.
- Antes de recomendar cetona monoéster para performance cognitiva, cheque se o estudo era agudo ou crônico. Quase sempre é agudo.
Medicina do Esporte
Meta-análise publicada no JAMA mostrou que suporte nutricional e de exercício antes de cirurgias eletivas pode reduzir complicações pós-operatórias e encurtar tempo de internação. O dado é relevante para o nutrólogo e endocrinologista que participa de equipes multiprofissionais em cirurgia bariátrica, oncológica ou ortopédica. A janela pré-operatória é frequentemente desperdiçada do ponto de vista metabólico: paciente chega desnutrido, sarcopênico ou com controle glicêmico ruim. O estudo reforça que intervir antes, não só depois, muda desfechos concretos. Protocolos de pré-habilitação com foco em carga proteica, resistida leve e controle de HbA1c merecem estruturação formal nos serviços brasileiros.
Fonte: JAMA
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- O paciente chega na cirurgia bariátrica já sarcopênico. Pré-habilitação não é luxo, é parte do protocolo que muda complicação pós-operatória.
- Nutricionista e educador físico antes da cirurgia: a meta-análise do JAMA diz que isso encurta internação. O sistema de saúde ainda trata como custo extra.
- Toda vez que o cirurgião pede jejum pré-operatório e ninguém fala em proteína e resistida nas semanas anteriores, uma oportunidade clínica foi perdida.
GLP-1
Reportagem da Folha baseada em dados de janeiro de 2026 confirma que a maior parte dos agonistas de GLP-1 vendidos no Brasil é comprada por mulheres com média de 47 anos, faixa da perimenopausa. O artigo explora como a queda de estrogênio altera distribuição de gordura, saciedade e controle de peso, e como os GLP-1 atuam nesse contexto. Para o endocrinologista, a combinação de TRH e GLP-1 é uma pergunta clínica cada vez mais frequente no consultório. Dados de interação ainda são escassos, mas a fisiologia sugere sinergismo no controle de adiposidade central. Defina critérios claros de indicação dupla antes que a paciente chegue com a combinação já autogerida.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
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- A paciente de 47 anos que comprou GLP-1 sem consulta provavelmente está na perimenopausa. Isso muda a conversa sobre indicação, dose e duração.
- Estrogênio e GLP-1 atuam em regiões hipotalâmicas sobrepostas. Tratar só um eixo em mulher na menopausa com obesidade pode ser tratar pela metade.
- Toda vez que a paciente diz que engordou 'sem razão' depois dos 45, o exame físico vai mostrar redistribuição de gordura visceral. Não é falta de dieta. É fisiologia.
Diretrizes
Nove organizações de acreditação e entidades médicas americanas firmaram compromisso com o HHS de integrar nutrição nos currículos e avaliações de futuros médicos. O anúncio é relevante porque formaliza o que é historicamente uma lacuna: médicos saem da residência sem formação prática em prescrição dietética. Para o nutrólogo brasileiro, o movimento reforça o argumento de que nutrologia precisa de espaço curricular formal, não apenas como especialidade pós-graduada. No Brasil, a ABRAN e o CFM têm agenda similar em andamento. O dado americano serve de referência para advocacy junto a escolas médicas e ao MEC sobre carga horária mínima em nutrição clínica.
Fonte: MedPage Today
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- Médico formado sem saber prescrever proteína ou calcular déficit calórico encaminha para nutricionista o que poderia resolver na própria consulta.
- Nos EUA, nove entidades assumiram que a formação médica em nutrição é insuficiente. No Brasil, a mesma conversa acontece há décadas sem compromisso formal.
- Toda vez que o residente pergunta se 'proteína faz mal para o rim' sem contexto clínico, fica claro o que faltou na grade curricular.
GLP-1
Reportagem da Folha consolida o estado atual da evidência sobre indicações de GLP-1 além do emagrecimento: apneia obstrutiva do sono (dado do trial SURMOUNT-OSA com tirzepatida), esteatohepatite (resmetirom aprovado, GLP-1 com dados secundários) e doença renal crônica (semaglutida com dado no FLOW trial). A cobertura jornalística chega ao paciente antes da consulta. O endocrinologista precisa estar preparado para discutir indicações aprovadas, indicações com evidência mas sem aprovação formal e indicações ainda em investigação, com clareza sobre o que é cada nível. Documente a indicação primária e o racional off-label quando aplicável.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
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- Paciente com apneia moderada, esteatose e DRC: GLP-1 pode ser o único medicamento com dado em todos os três alvos ao mesmo tempo.
- A imprensa já comunica as novas indicações de GLP-1 antes da aprovação regulatória. O consultório vai precisar filtrar o que é evidência e o que é expectativa.
- Toda vez que o paciente pergunta se a caneta trata o fígado gordo, a resposta certa não é sim nem não: é qual dado, qual indicação e qual nível de evidência.
Musculação
Estudo de coorte poolado publicado no British Journal of Sports Medicine, citado em roundup do MedPage Today, mostrou que pessoas que praticam 1,5 a 2 horas semanais de treinamento de força tipicamente vivem mais. O dado converge com literatura prévia, mas a especificidade da dose semanal tem valor prático direto para a prescrição: não é necessário volume alto para obter benefício de mortalidade. Para o médico que acompanha pacientes sedentários, idosos ou em recuperação pós-GLP-1 com perda de massa magra, essa dose mínima é factível e prescritível. Dois treinos de 45 a 60 minutos por semana cobrem esse limiar para a maioria dos pacientes.
Fonte: MedPage Today
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- 1,5 hora de musculação por semana. Não por dia, não por sessão. Por semana. Esse é o limiar de longevidade que o estudo britânico aponta.
- Paciente que diz não ter tempo para academia: dois treinos de 45 minutos por semana cobrem a dose associada a maior sobrevida. É prescritível.
- Antes de aumentar a dose de GLP-1 do paciente sarcopênico, pergunte quantas horas de resistido ele faz por semana. Provavelmente é zero.