GLP-1
Análise de dados de prontuários eletrônicos de adultos com diabetes tipo 2 mostrou associação entre uso de agonistas de GLP-1 e risco aumentado de distúrbios de olfato e paladar em comparação a controles pareados. O desenho é observacional e não estabelece causalidade, mas o sinal é clinicamente relevante: alterações sensoriais podem comprometer adesão alimentar e qualidade de vida, além de confundir o diagnóstico de náusea como efeito adverso isolado. Médicos devem perguntar ativamente sobre mudanças de paladar e olfato nas consultas de acompanhamento, especialmente nos primeiros meses de tratamento.
Fonte: MedPage Today
3 ganchos
- O paciente parou de sentir gosto de comida e achou que era o GLP-1 funcionando. Às vezes é. Às vezes é um efeito adverso que ninguém perguntou.
- Distúrbio de paladar em usuário de GLP-1 não é só desconforto: pode virar desnutrição silenciosa se o acompanhamento nutricional não estiver na prescrição.
- Toda vez que a análise é de prontuário eletrônico em larga escala, o sinal importa mesmo sem ensaio clínico. A pergunta é: você está anotando esse dado na consulta?
Hormonal
O Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism publicou revisão abrangente sobre como personalizar o tratamento farmacológico da osteoporose diante de múltiplas opções disponíveis. O texto aborda a lacuna entre a disponibilidade de terapias altamente eficazes e a estagnação ou aumento nas taxas de fratura nos EUA, com ênfase na sobrecarga de informação digital que os pacientes trazem ao consultório sobre nutrição, exercício e suplementação. Para o prescrito brasileiro, o ponto de ação é integrar avaliação de risco individual com protocolo de sequenciamento terapêutico, especialmente em populações que já usam GLP-1 e têm risco de perda óssea.
Fonte: JCEM
3 ganchos
- O paciente chegou com print do TikTok sobre vitamina K2 para osso. O JCEM acabou de publicar o roteiro para você responder com base em evidência, não em instinto.
- Fratura aumentando mesmo com mais opções terapêuticas: o problema não é falta de droga, é falta de sequenciamento. O JCEM detaliza o passo a passo.
- Antes de repetir densitometria, decida qual é o próximo agente e por quê. A revisão do JCEM organiza esse raciocínio em critérios práticos.
Composição Corporal
Estudo transversal publicado no Journal of the ISSN avaliou concordância entre equação antropométrica derivada pela Federação Mexicana de Futebol e DEXA na estimativa de percentual de gordura corporal em jogadoras da seleção feminina mexicana. A equação é de aplicação em campo, mas o estudo conclui que validação externa em coortes maiores e mais diversas é necessária antes de uso generalizado. Para médicos e nutricionistas que atendem atletas de futebol feminino no Brasil, o dado reforça que equações específicas por população ainda não substituem DEXA como padrão de referência em decisões de composição corporal de alta performance.
Fonte: Journal of the ISSN
3 ganchos
- A equação antropométrica da federação é prática, barata e rápida. Também pode estar errada em 3 a 5 pontos percentuais de gordura. Isso muda a prescrição.
- Atleta de elite feminina e equação de campo: o ISSN acaba de mostrar que DEXA ainda é insubstituível quando a decisão importa.
- Toda vez que você usa equação validada em outra população, está apostando. O estudo mexicano quantifica o custo dessa aposta.
Medicina do Esporte
Dados consolidados pela OMS e repercutidos pela Folha mostram que os níveis globais de atividade física permanecem praticamente estagnados há duas décadas. Hoje, 1 em cada 3 adultos e 20% dos adolescentes não atingem a recomendação mínima de 150 minutos semanais de atividade moderada. Para prescritores de composição corporal, o dado tem implicação direta: a barreira à mudança não é informação, é adesão estruturada. Protocolos que integram prescrição de exercício com monitoramento objetivo, como pedômetros ou acelerômetros, mostram resultados superiores à orientação verbal isolada.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- Vinte anos de campanha e 1 em cada 3 adultos ainda não se move o suficiente. O problema não é consciência: é que ninguém prescreveu exercício como medicamento.
- Toda vez que você orienta o paciente a 'fazer uma caminhada', sem dose, frequência e progressão, está prescrevendo placebo com boa intenção.
- 150 minutos por semana parece pouco até você ver que dois terços dos seus pacientes não chegam nem perto. O dado da OMS é um espelho do consultório.
Suplementação
A Folha publicou reportagem sobre a viralização de tiras sublinguais de glutationa no TikTok, com promessas de redução de inflamação, melhora imunológica e clareza cutânea. Não há ensaios clínicos robustos que sustentem benefício de glutationa oral ou sublingual em indivíduos saudáveis, e a biodisponibilidade da molécula intacta por via oral é limitada pela degradação gastrointestinal. O risco de uso indiscriminado inclui interação com protocolos oncológicos e falsa sensação de segurança. Médicos devem estar preparados para a pergunta no consultório e ter a resposta baseada em dado, não em opinião.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- Glutationa sublingual viraliza no TikTok. Na sua próxima semana de consultório, pelo menos um paciente vai perguntar. Sem ensaio clínico, a resposta é simples: ainda não sabemos.
- Biodisponibilidade oral de glutationa intacta é limitada pela digestão. Isso não aparece no vídeo de 30 segundos, mas precisa aparecer na sua consulta.
- Antes de ignorar a pergunta sobre glutationa, lembre que paciente em quimioterapia usando antioxidante sem aviso pode estar interferindo no tratamento oncológico.
Medicina do Esporte
Reportagem da Folha revela que a FIFA não incorporou recomendações do Fifpro e de um painel científico independente ao criar o protocolo de cooling break para a Copa do Mundo 2026. O estudo do sindicato de jogadores, conduzido com a federação portuguesa, quantificou o impacto do calor extremo na performance e no risco de lesão, mas os dados não foram integrados às regras finais. Para médicos do esporte, o ponto prático é que protocolos de hidratação e resfriamento nos clubes precisam ser mais conservadores do que o mínimo estabelecido pela FIFA, especialmente em atletas com histórico de hipertermia ou uso de medicamentos que afetam termorregulação.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- A FIFA criou o protocolo de calor e ignorou o painel científico. No futebol amador e de base que você acompanha, não há pausa obrigatória nenhuma. O risco é maior.
- Atleta em uso de diurético, beta-bloqueador ou antipsicótico tem termorregulação comprometida. A pausa da FIFA não foi feita pensando nele.
- Toda vez que uma entidade esportiva define protocolo sem médico do esporte na mesa, quem paga a conta é o atleta. E eventualmente o médico que o acompanha.
Medicina do Esporte
Reportagem da Folha aborda lesões de joelho em atletas de fim de semana que jogam futebol sem preparação adequada, usando caso clínico de professor com dores recorrentes. O texto é relevante como ponto de contato com o paciente não treinado, mas omite dados de prevalência e não cita protocolos de prevenção baseados em evidência, como o programa FIFA 11+, que reduz incidência de lesões em até 50% em estudos randomizados. Médicos do esporte devem usar a repercussão midiática para introduzir programas estruturados de aquecimento e fortalecimento em pacientes que praticam futebol recreativo.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- O paciente joga futebol todo domingo sem aquecimento e acha que dor no joelho é parte do esporte. Não é. É lesão prevenível com 15 minutos de protocolo.
- FIFA 11+ reduz lesões em até 50% em estudos randomizados. Quantos dos seus pacientes que jogam futebol recreativo já ouviram isso de você?
- Atleta de fim de semana tem mais risco de lesão do que jogador profissional porque não tem preparação, não tem fisioterapeuta e treina uma vez por semana. Isso é dado.
Regulação
O comitê da EMA recomendou a revogação da autorização de comercialização do avacopan (Tavneos), usado em vasculite ANCA-associada, após identificar falhas de integridade nos dados do ensaio clínico principal. A decisão ainda está sujeita à Comissão Europeia, mas o sinal regulatório é importante: questiona a base de aprovação de um medicamento que chegou ao mercado com perfil de evidência limitado. Para endocrinologistas e nutrólogos, o caso reforça a necessidade de monitorar revisões pós-mercado de fármacos aprovados com base em estudos únicos, especialmente em indicações off-label emergentes.
Fonte: MedPage Today
3 ganchos
- Aprovação regulatória não é garantia de dados limpos. O caso do avacopan é um lembrete de que revisão pós-mercado existe e funciona, às vezes anos depois.
- Toda vez que você prescreve um fármaco aprovado com base em um único ensaio, está dependendo da integridade desse ensaio. A EMA acabou de mostrar o que acontece quando ela falha.
- Integridade de dados em ensaio clínico não é só problema acadêmico: é o que sustenta ou derruba a decisão de prescrever. Monitorar isso faz parte da prática.
Regulação
Análise citada pela Folha mostra que mais de 50% dos medicamentos solicitados via ação judicial no Brasil já haviam recebido recomendação favorável de incorporação ao SUS ou deveriam estar disponíveis na rede pública. O dado tem implicação direta para prescritores que atendem pacientes de baixa renda: conhecer o status de incorporação dos fármacos que prescrevem, incluindo análogos de GLP-1 e análogos de insulina, pode evitar judicialização desnecessária e acelerar acesso. Consulte o portal da Conitec antes de orientar o paciente a buscar via judicial.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- Mais de 50% dos medicamentos judicializados já deveriam estar no SUS. Antes de orientar o paciente a contratar advogado, cheque o portal da Conitec.
- Judicialização de medicamento que já está incorporado é tempo perdido para o paciente e carga para o sistema. O médico que conhece o fluxo evita os dois.
- Toda vez que você escreve 'buscar na Justiça' no receituário sem checar o status regulatório, pode estar atrasando o acesso do paciente em meses.
Medicina do Esporte
O podcast TTHealthWatch desta semana abordou a questão da ressurfacização patelar em artroplastia total de joelho, tema de relevância para médicos do esporte e ortopedistas que acompanham atletas e pacientes com osteoartrite avançada. O episódio também discutiu tendências em comunicação médico-paciente. O dado central ainda não foi publicado em formato de artigo original com n e desfecho quantificado. Para prescritores que encaminham para cirurgia ortopédica, o ponto de ação é perguntar ao cirurgião sobre a política de ressurfacização adotada, pois a decisão afeta reabilitação e retorno ao esporte.
Fonte: MedPage Today
3 ganchos
- Ressurfacização patelar ou não: a decisão é do cirurgião, mas o médico que acompanha o atleta precisa entender o que isso muda na reabilitação e no retorno ao esporte.
- Paciente com osteoartrite de joelho avançada não é só caso cirúrgico. É caso de planejamento de composição corporal, carga de treino e protocolo pós-operatório.
- Toda vez que você encaminha para artroplastia sem discutir protocolo de reabilitação com o cirurgião, está terceirizando a parte que mais impacta o resultado funcional.
Emagrecimento
Dado global da OMS confirma que 20% dos adolescentes e 1 em 3 adultos não cumprem a recomendação mínima de atividade física, sem melhora nos últimos 20 anos. Para médicos que prescrevem composição corporal, isso reforça que exercício como intervenção isolada tem baixa adesão sem suporte estruturado. A combinação de farmacoterapia com GLP-1 e prescrição supervisionada de exercício tem base crescente de evidência para preservação de massa magra durante perda ponderal. O dado justifica integrar educador físico ao time de cuidado desde a primeira consulta, não como complemento, mas como parte do protocolo.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- GLP-1 sem exercício prescrito perde massa magra junto com gordura. O dado da OMS sobre sedentarismo global torna isso mais urgente, não menos.
- Orientação verbal de exercício em consulta de 10 minutos não move um paciente em 20 anos de evidência global. Prescrição estruturada com meta e monitoramento é diferente.
- Toda vez que o paciente volta na consulta com o mesmo peso e diz que tentou se exercitar, a pergunta certa é: o que foi prescrito, exatamente?