Hormonal
Coorte retrospectiva publicada no Lancet Diabetes & Endocrinology acompanhou pacientes com incidentaloma adrenal benigno e avaliou mudanças longitudinais no teste de supressão com 1 mg de dexametasona (1-mg DST). Secreção autônoma leve de cortisol (MACS), definida por cortisol pós-DST acima de 50 nmol/L, foi associada a maior risco cardiometabólico. O estudo demonstra que um único teste tem valor prognóstico incerto: a exposição cumulativa ao cortisol ao longo do seguimento importa mais. Para endocrinologistas, o dado sugere que incidentalomas com 1-mg DST limítrofe merecem reteste periódico, não descarte. A conduta de 'observar e repetir imagem' sem reavaliação hormonal pode subestimar risco.
Fonte: Lancet Diabetes & Endocrinology
3 ganchos
- Um 1-mg DST de 52 nmol/L no primeiro ano não significa o mesmo que 52 nmol/L por cinco anos seguidos.
- Incidentaloma adrenal 'benigno' com MACS limítrofe: repetir o DST não é paranoia, é seguimento baseado em evidência.
- O risco cardiometabólico do MACS acumula no tempo. Pedir exame uma vez e arquivar é diferente de acompanhar.
Hormonal
Estudo publicado no JCEM avaliou tendência temporal no uso da cateterização bilateral dos seios petrosos inferiores (BIPSS) no diagnóstico da doença de Cushing. A análise demonstra queda no uso do procedimento sem perda de eficácia diagnóstica, sugerindo que avanços em imagem permitem reduzir indicações de BIPSS com segurança. Para o endocrinologista que maneja hipercortisolismo ACTH-dependente, o dado é relevante: a decisão de indicar BIPSS pode ser cada vez mais guiada pela qualidade da ressonância e pela probabilidade pré-teste, em vez de ser rotineira. O estudo não elimina a indicação do procedimento, mas apoia uma abordagem mais seletiva.
Fonte: JCEM
3 ganchos
- BIPSS ainda é padrão-ouro, mas indicar para todo Cushing ACTH-dependente sem boa ressonância já foi, e o JCEM explica por quê.
- A imagem melhorou. A pergunta agora é: quem realmente precisa do cateterismo de seio petroso?
- Toda vez que a RM hipofisária mostra microadenoma nítido com bioquímica concordante, o BIPSS vira discussão, não protocolo automático.
Suplementação
Ensaio crossover randomizado duplo-cego (n=9; 5 homens e 4 mulheres treinados, média 24 anos) publicado no International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism comparou whey, caseína e controle isocalórico ingeridos antes de dormir após sessão de musculação. Somente o whey associou-se a melhora na qualidade do sono frente ao controle. A caseína, classicamente recomendada para síntese proteica noturna, não diferiu do controle nesse desfecho. O n pequeno limita conclusões definitivas, mas o dado questiona a prescrição automática de caseína pré-sono para populações que também têm queixa de sono. Avalie o desfecho prioritário do paciente antes de escolher a fração proteica.
Fonte: Int J Sport Nutrition & Exercise Metab
3 ganchos
- Caseína pré-sono para síntese proteica é uma coisa. Para qualidade do sono após treino, esse estudo diz que whey funciona melhor.
- Prescrever proteína noturna sem perguntar sobre qualidade do sono é deixar metade da equação em branco.
- O paciente que treina à noite e dorme mal pode estar tomando a proteína certa pelo motivo errado.
Medicina do Esporte
Estudo publicado no International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism validou medidas de densidade mineral óssea (DMO) por DEXA em regiões específicas de costelas em remadores de elite. A análise demonstrou confiabilidade suficiente para uso longitudinal e identificou a região de interesse costal mais ecologicamente válida para detectar adaptações sport-específicas. Lesões por estresse em costelas são a principal causa de afastamento no remo de alto rendimento. Para médicos de equipes e fisiologistas, o dado viabiliza monitoramento osseo regional sem exigir MRI ou TC: um protocolo de DEXA bem planejado já captura o sinal relevante nessa população.
Fonte: Int J Sport Nutrition & Exercise Metab
3 ganchos
- Remador com dor lateral recorrente e DEXA de corpo inteiro normal pode ter fratura por estresse em costela passando despercebida.
- A região de interesse no DEXA importa. Para remo, costela específica captura o que corpo inteiro dilui.
- Antes de pedir TC de costela no atleta, vale saber que o DEXA bem posicionado já oferece dado confiável e com menos radiação.
Hormonal
Apresentação no ENDO 2026 reportada pelo MedPage Today indica que a medição de ACTH após o teste de supressão com 1 mg de dexametasona pode incrementar a precisão diagnóstica do hipercortisolismo. O dado ainda não foi publicado em periódico revisado por pares, o que limita a força da recomendação. No entanto, o raciocínio é fisiológico: ACTH suprimido com cortisol não suprimido orienta para etiologia adrenal; ACTH não suprimido reforça origem central ou ectópica. Para endocrinologistas que trabalham com incidentaloma adrenal ou suspeita de Cushing subclínico, adicionar ACTH ao 1-mg DST já é conduta de baixo custo e alta informação. Aguardar publicação completa antes de incorporar formalmente ao protocolo.
Fonte: MedPage Today
3 ganchos
- Cortisol pós-DST de 58 nmol/L com ACTH suprimido e ACTH não suprimido são dois diagnósticos diferentes. Pedir os dois muda o raciocínio.
- Adicionar ACTH ao 1-mg DST custa pouco e pode orientar a etiologia antes de qualquer imagem.
- Dado de congresso ainda sem publicação, mas a fisiologia já sustenta a lógica: não peça só o cortisol.
GLP-1
Pesquisa nacional Gallup citada pelo MedPage Today indica que o uso de GLP-1 injetáveis para emagrecimento nos Estados Unidos atingiu nível recorde, com crescimento de quase quatro vezes desde 2024. O dado é de pesquisa populacional, não de prescrição médica, mas a escala é relevante: sinaliza que a demanda por esses medicamentos continua acelerando, com implicações diretas para acesso, custo e formação de filas. Para o médico brasileiro, o paralelo é útil: o mercado nacional segue a mesma curva com defasagem de 12 a 24 meses. A pressão sobre consultórios, farmácias e sistemas de saúde para dar conta dessa demanda vai aumentar antes de diminuir.
Fonte: MedPage Today
3 ganchos
- Quase quadruplicar o uso de GLP-1 em dois anos não é tendência, é mudança de paradigma no consultório.
- O médico que ainda trata obesidade só com dieta e exercício vai receber cada vez mais pacientes que já chegam pedindo a caneta.
- O Brasil costuma atrasar 12 a 24 meses em relação ao mercado americano. A curva de demanda por GLP-1 aqui ainda não chegou no pico.
Regulação
A Anvisa afirmou, em 6 de julho de 2026, que testes específicos de segurança e eficácia são necessários antes que canetas emagrecedoras fabricadas no Paraguai sejam comercializadas no Brasil. O posicionamento é um desdobramento direto da apreensão de 2.707 canetas contrabandeadas confirmadas com tirzepatida pela Unicamp, noticiada na semana anterior. A agência não emitiu novo regulamento, mas reforçou a exigência já vigente. Para médicos que prescrevem GLP-1 e tirzepatida, o recado é operacional: qualquer produto sem registro Anvisa ativo e rastreável não deve ser utilizado, independente de laudos paralelos apresentados por distribuidores informais.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- O laudo que o distribuidor envia pelo WhatsApp não substitui o registro Anvisa. Nunca substituiu.
- Caneta paraguaia com tirzepatida confirmada em laboratório ainda não é produto seguro. Eficácia e impureza são perguntas diferentes.
- Toda vez que um paciente chega com caneta importada 'mais barata', o risco regulatório e clínico é do médico que avaliza a conduta.
Hormonal
Viewpoint publicado no JAMA discute controvérsias nas estratégias de prevenção de fraturas osteoporóticas e destaca que alguns medicamentos disponíveis, incluindo o estrogênio, estão subutilizados e são pouco compreendidos na prática clínica. O artigo não apresenta dados primários, mas traz análise editorial de peso em periódico de alta visibilidade. Para endocrinologistas e médicos que manejam menopausa e osteoporose, o recado reforça o que diretrizes recentes já indicam: o histórico de superestimação de riscos do estrogênio (pós-WHI) criou uma geração de médicos que evita a opção mais custo-efetiva disponível para mulheres elegíveis. Rever indicação antes de partir diretamente para bifosfonatos ou denosumabe.
Fonte: JAMA
3 ganchos
- Depois do WHI, uma geração de médicos aprendeu a ter medo do estrogênio. O JAMA diz que esse medo custa fraturas.
- Prescrever bifosfonato antes de discutir estrogênio com mulher elegível de 52 anos é um hábito, não necessariamente a melhor conduta.
- Osteoporose pós-menopausa com indicação de TRH e sem contraindicação: o estrogênio faz prevenção de fratura junto com os outros benefícios.
Emagrecimento
Primeiros dados nacionalmente representativos dos EUA sobre DM2 em crianças e adolescentes, publicados no JAMA Pediatrics e noticiados pelo JAMA, indicam que a prevalência pode ser maior do que estimativas anteriores sugeriam. O estudo usa metodologia de amostragem nacional, o que diferencia este dado de registros locais ou clínicos previamente publicados. Para endocrinologistas pediátricos e nutrólogos que atendem adolescentes com obesidade, o sinal é direto: triagem metabólica em crianças com sobrepeso e histórico familiar precisa ser rotina, não exceção. O Brasil não tem equivalente epidemiológico recente; a ausência de dado nacional não significa ausência de problema.
Fonte: JAMA
3 ganchos
- DM2 em criança não é raridade americana. É o resultado de décadas de obesidade infantil sem triagem sistemática.
- Adolescente obeso sem glicemia de jejum no check-up anual: o diagnóstico que falta pode estar esperando no exame que não foi pedido.
- O Brasil não tem equivalente desse dado nacional. Isso não é motivo de alívio, é lacuna de vigilância.
Emagrecimento
Pesquisa publicada no JAMA Network Open e reportada pelo JAMA avaliou padrões alimentares e controle de peso em mulheres durante a perimenopausa. O estudo sugere que determinados padrões alimentares podem ajudar no manejo ponderal durante essa fase, com impacto potencial na saúde cardiometabólica a longo prazo. Detalhes metodológicos completos, incluindo n e tipo de desfecho primário, não estão disponíveis no resumo indexado. Para nutrólogos e endocrinologistas que atendem climatério, o tema é clinicamente relevante: ganho de peso na perimenopausa tem componente hormonal, mas o padrão alimentar permanece modificável e passível de intervenção estruturada. Consultar o artigo completo antes de incorporar como protocolo.
Fonte: JAMA
3 ganchos
- Mulher que engorda na perimenopausa e ouve só que 'é hormônio' recebe metade da resposta clínica.
- Padrão alimentar na perimenopausa não é detalhe: é a variável mais modificável num período de alto risco cardiometabólico.
- Toda vez que focamos só na TRH e esquecemos de estruturar a dieta no climatério, perdemos a outra metade da intervenção.
Composição Corporal
O STAT News reporta a aprovação do Dexcom Stelo como monitor contínuo de glicose sem prescrição para crianças a partir de 2 anos, e especialistas divergem sobre riscos e benefícios. O dispositivo, antes restrito a adultos sem DM, pode oferecer dado de glicemia em tempo real para famílias, mas levanta questões sobre ansiedade parental, interpretação de variações fisiológicas normais e medicalização precoce. Para pediatras, endocrinologistas e nutrólogos que atendem obesidade infantil, o dado é operacional: pacientes ou responsáveis podem chegar ao consultório com semanas de dados de CGM sem diagnóstico formal de DM. Estabelecer critério clínico para interpretar e agir sobre esses dados passa a ser parte da consulta.
Fonte: STAT News
3 ganchos
- CGM sem receita para criança de 2 anos: o dado vai chegar no consultório antes do médico estar preparado para interpretá-lo.
- Variação glicêmica fisiológica em criança saudável é diferente de disglicemia. Sem esse conhecimento, o CGM gera alarme sem diagnóstico.
- Quando o exame está disponível sem prescrição, o médico deixa de controlar a entrada do dado e passa a controlar a interpretação.
Diretrizes
O BMJ reporta que o estudo pivotal do avacopan (Tavneos), publicado no NEJM e base para aprovação do medicamento pelo FDA em 2021 para vasculite ANCA, foi retratado após investigação federal confirmar manipulação de dados. O FDA já havia sinalizado irregularidades; reguladores europeus tinham recomendado revogação da aprovação. Este é um desdobramento novo e clinicamente significativo: o avacopan foi adotado em protocolos de granulomatose com poliangiíte e poliangiíte microscópica. Médicos que prescrevem o medicamento devem reavaliar a base de evidência e acompanhar posicionamento das sociedades de reumatologia e nefrologia. Dado com impacto direto em conduta.
Fonte: BMJ
3 ganchos
- O ensaio que embasou a aprovação do avacopan foi manipulado. O medicamento está em protocolos ativos de vasculite.
- Retratação de ensaio pivotal com manipulação de dados não é nota de rodapé: é a base da prescrição que desaparece.
- Toda vez que um medicamento aprovado tem seu ensaio principal retratado, o ônus de revisar o protocolo cai sobre quem prescreve.
Suplementação
Coluna publicada na Folha de S.Paulo analisa o crescimento das buscas por 'dieta carnívora' e 'dieta da selva', vinculadas à machosfera digital, com pico em 2026. O texto aponta ausência de base científica robusta para o protocolo e contextualiza sua ascensão como fenômeno cultural, não clínico. Para nutrólogos e endocrinologistas, a relevância é prática: pacientes do sexo masculino chegam ao consultório com esse protocolo já em curso, muitas vezes associado ao uso de suplementos e anabolizantes. O médico que não conhece os argumentos circulantes perde tempo no atendimento. O conteúdo não apresenta dados primários, mas serve como alerta de tendência com impacto na consulta.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- O paciente que chegou hoje fazendo dieta carnívora não leu um artigo científico. Leu um influenciador. Você precisa saber o que ele leu.
- Dieta sem grupo alimentar vegetal não é protocolo clínico. É restrição com narrativa de masculinidade embutida.
- Toda vez que uma dieta viraliza com apelo identitário, ela chega no consultório antes da evidência que a questiona.