Regulação
O FDA aprovou mudança de rotulagem do orlistate OTC para incluir alerta de risco de lesão renal aguda. O fármaco, disponível sem receita nos EUA, é utilizado em estratégias de emagrecimento clínico. O mecanismo proposto envolve hiperoxalúria secundária à má-absorção de gordura com deposição de oxalato renal. Para o nutrólogo e endocrinologista brasileiro, o alerta é relevante mesmo onde o orlistate ainda exige prescrição: pacientes com DRC, história de nefrolitíase ou uso de diuréticos merecem cautela redobrada. Solicite creatinina e estimativa de TFG antes de indicar o fármaco.
Fonte: JAMA
3 ganchos
- Orlistate nunca foi o preferido do consultório, mas ainda aparece em receitas. Agora tem mais um motivo para checar a função renal antes.
- Má-absorção de gordura sem acompanhamento adequado gera hiperoxalúria. O rim paga a conta quando ninguém avisou o paciente.
- Venda livre não significa segurança livre. O FDA acabou de reescrever o rótulo do orlistate para lembrar isso.
Musculação
Pesquisa publicada no JAMA associa treinamento resistido a redução do risco de doença cardiovascular em mulheres. O estudo reforça evidência prévia com foco específico no sexo feminino, população historicamente sub-representada em pesquisas de exercício e cardioproteção. Para o médico que prescreve composição corporal, o dado justifica inserir musculação como ferramenta cardiovascular, não apenas estética ou metabólica, especialmente em mulheres na peri e pós-menopausa. A frequência e o volume mínimos eficazes não foram uniformizados pela revisão; use as diretrizes ACSM como referência até dado mais específico.
Fonte: JAMA
3 ganchos
- A paciente que só faz caminhada e acha que já está protegida cardiovascularmente precisa ouvir sobre treino de força. O dado agora é mais claro.
- Cardioproteção por musculação em mulheres: sempre soube que fazia sentido, mas faltava o estudo com foco no sexo certo.
- Toda vez que a paciente pergunta por que precisa de peso, a resposta passou a incluir coração, não só músculo.
Hormonal
Estudo publicado no JCEM avalia hidrocortisona de liberação modificada (MRHC) em mulheres com deficiência de 21-hidroxilase. O uso de MRHC melhorou o controle hormonal e foi associado a restabelecimento da ciclicidade menstrual e altas taxas de concepção espontânea, com dose equivalente de hidrocortisona menor do que no esquema convencional. O mecanismo envolve otimização circadiana da reposição glicocorticoide. Para endocrinologistas que manejam HAC em mulheres em idade fértil, o dado posiciona MRHC como opção preferencial quando fertilidade é objetivo terapêutico. A disponibilidade no Brasil ainda é limitada; verifique acesso via importação.
Fonte: JCEM
3 ganchos
- HAC e infertilidade andam juntas no consultório. Hidrocortisona de liberação modificada pode mudar esse desfecho com dose menor.
- Otimizar o ritmo circadiano do cortisol não é detalhe em HAC feminina. É o que separa a paciente que ovula da que não ovula.
- Antes de encaminhar a paciente com HAC ao reprodutor, revise o esquema de glicocorticoide. O problema pode estar na cinética, não na dose total.
Hormonal
No ENDO 2026, especialistas destacaram crescente interesse no hipercortisolismo subclínico. Incidentalomas adrenais com supressão incompleta no teste de 1 mg de dexametasona, mesmo sem fenótipo cushingóide clássico, associam-se a risco metabólico e cardiovascular aumentado. A tendência é expandir a investigação e, em casos selecionados, o tratamento. Para o endocrinologista, o dado muda o limiar de investigação: pacientes com HAS de difícil controle, DM2 resistente ou osteoporose sem causa aparente merecem rastreio ativo. O cortisol salivar noturno e o UFC permanecem ferramentas-chave nesse contexto.
Fonte: MedPage Today
3 ganchos
- Incidentaloma adrenal com supressão incompleta e HAS resistente: o hipercortisolismo subclínico estava na frente o tempo todo.
- O Cushing clássico é fácil de suspeitar. O subclínico se esconde atrás de DM2 sem controle e osteoporose sem causa. Hora de rastrear.
- ENDO 2026 não mudou o diagnóstico de Cushing. Expandiu o mapa de quem merece ser investigado antes de virar Cushing.
GLP-1
Novos dados de fase 3 da retatrutida (agonista triplo GLP-1/GIP/glucagon) mostram perda de até 25 kg em pacientes com obesidade, segundo cobertura da Folha e dados da Eli Lilly. O fármaco ainda não tem aprovação regulatória. Dados cardiovasculares de desfecho duro permanecem sem resultado publicado, o que limita o posicionamento clínico frente à semaglutida e tirzepatida. Para o endocrinologista, o dado de eficácia ponderal é relevante como contexto de pipeline, mas não altera conduta atual. Acompanhe publicação do ensaio de desfecho CV antes de qualquer expectativa de prescrição.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- 25 kg de perda em fase 3 impressiona. Mas sem dado cardiovascular de desfecho duro, retatrutida ainda é promessa, não prescrição.
- Toda vez que um novo GLP-1 aparece com dado de peso, a pergunta certa é: e o coração? Com retatrutida, ainda não sabemos.
- O pipeline de obesidade está cheio de moléculas eficazes. O que vai separar as que ficam das que somem é o dado de segurança CV.
GLP-1
Viewpoint publicado no JAMA discute a extensão do programa CMS GLP-1 Bridge no Medicare americano, que amplia cobertura de agonistas GLP-1 para beneficiários elegíveis. O texto aponta questões não respondidas: critérios de manutenção, impacto orçamentário a longo prazo e perfil dos usuários em populações vulneráveis. Para o médico brasileiro, o dado é relevante como sinalizador de tendência: políticas de acesso ampliado a GLP-1 em sistemas públicos geram pressão regulatória e de farmacovigilância. O Brasil ainda discute cobertura pelo SUS; o modelo americano oferece lições sobre o que monitorar antes da escala.
Fonte: JAMA
3 ganchos
- Quando o sistema público paga GLP-1 em larga escala, as perguntas mudam: quem mantém, por quanto tempo e com qual monitoramento?
- O Medicare americano está respondendo na prática o que o SUS vai precisar responder em teoria nos próximos anos.
- Acesso ampliado a GLP-1 sem protocolo de manutenção definido é abrir a torneira sem saber quando fechar.
Regulação
A Major Pharmaceuticals emitiu recall nacional nos EUA de múltiplos lotes de levotiroxina sódica (marcas Major e Cardinal) por subpotência. Embora seja um alerta americano, o evento é clinicamente relevante para médicos brasileiros: pacientes hipotireoideos com controle fino de TSH, gravidez ou pós-tireoidectomia total são os mais vulneráveis a variações de potência entre lotes e marcas. A troca de fornecedor sem reajuste de dose pode elevar TSH silenciosamente. Oriente pacientes a não trocar marcas sem comunicar o médico e a repetir TSH 6 semanas após qualquer mudança de formulação.
Fonte: MedPage Today
3 ganchos
- Levotiroxina parece simples até o paciente trocar de farmácia e o TSH subir sem aviso. O recall americano lembra por que potência importa.
- Subpotência de levotiroxina não dá sintoma imediato. Dá TSH alto na próxima consulta, sem causa aparente, se você não perguntou sobre a marca.
- Toda vez que o TSH sobe sem explicação, a primeira pergunta deveria ser: o paciente trocou de fornecedor ou lote?
Emagrecimento
Coorte holandesa publicada no MedPage Today mostra que uso de antipsicóticos, mesmo por curto período, associa-se a aumento na prevalência de DM2 farmacologicamente tratado em jovens. O dado é relevante para endocrinologistas e nutrólogos que atendem pacientes em idade jovem com comorbidades psiquiátricas. O mecanismo inclui resistência insulínica, ganho de peso e alteração no metabolismo glicídico. A vigilância metabólica deve começar desde a primeira prescrição, não apenas após uso prolongado. Solicite glicemia de jejum e circunferência abdominal no momento da introdução do antipsicótico.
Fonte: MedPage Today
3 ganchos
- O jovem que inicia antipsicótico não espera anos para ter risco metabólico. A coorte holandesa mostra que o relógio começa cedo.
- Monitoramento metabólico em usuário de antipsicótico ainda é exceção no consultório. Deveria ser protocolo desde a primeira receita.
- Resistência insulínica induzida por antipsicótico em jovem é evitável com triagem precoce. O que falta não é evidência, é rotina.
Composição Corporal
Revisão publicada em Sports Medicine discute como os desfechos da restrição energética diferem entre indivíduos com obesidade e atletas em restrição estratégica para categoria de peso. O ponto central: os marcadores de monitoramento hoje usados são insuficientes para distinguir adaptação saudável de maladaptação, especialmente em atletas. Massa magra, desempenho funcional, marcadores hormonais (T3, testosterona, cortisol) e disponibilidade energética relativa devem compor o painel. Para o médico que prescreve déficit em populações mistas, o artigo reforça que perda de peso sem monitoramento de composição corporal é dado incompleto.
Fonte: Sports Medicine
3 ganchos
- Perda de peso na balança pode esconder perda de músculo no DEXA. Para atleta em restrição, esse erro custa performance.
- Disponibilidade energética relativa é o marcador que o consultório ainda ignora quando prescreve déficit calórico para atleta.
- Toda vez que o paciente atleta perde peso 'bem', vale perguntar: bem para quem, a balança ou a composição corporal?
Suplementação
Estudo publicado no JAMA Network Open documenta crescimento no uso de suplementos alimentares nos EUA entre 1999 e 2023, com aumento mais expressivo em adultos mais velhos. O dado é relevante para o nutrólogo brasileiro: idosos são a população com maior risco de interação medicamentosa por suplemento e, ao mesmo tempo, com maior prevalência de deficiências reais de vitamina D, B12 e magnésio. O crescimento do uso não reflete necessariamente uso racional. Na consulta, o levantamento ativo de suplementos deve ser parte do histórico farmacológico, com atenção especial a polifarmácia.
Fonte: JAMA
3 ganchos
- O idoso que toma 7 comprimidos por dia provavelmente inclui 3 suplementos que nenhum médico prescreveu. Hora de perguntar.
- Crescimento de uso de suplemento não é crescimento de uso racional. São coisas diferentes, e a diferença aparece na consulta.
- Antes de prescrever vitamina D para o paciente de 70 anos, vale checar o que ele já está tomando por conta própria.
Medicina do Esporte
Estudo publicado no International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism compara 2 dias de ingestão moderada versus alta de carboidratos em jogadoras de futebol feminino durante protocolo simulado de partida. O estudo aborda lacuna real: recomendações de carga de CHO eram baseadas quase exclusivamente em dados masculinos. Os resultados apontam para benefício da alta ingestão de CHO no desempenho físico e cognitivo durante o protocolo, mas o tamanho da amostra e o design simulado limitam a generalização. Para o nutricionista e médico do esporte, o dado justifica individualizar a carga de CHO em atletas femininas sem extrapolar diretamente do homem.
Fonte: Int J Sport Nutrition & Exercise Metab
3 ganchos
- Recomendar carga de carboidrato para jogadora de futebol com base em estudo masculino sempre foi uma extrapolação. Agora há dado feminino.
- O futebol feminino cresceu no Brasil mais rápido do que a evidência nutricional específica para ele. Esse estudo começa a fechar a lacuna.
- Toda vez que a atleta pergunta quanto comer antes do jogo, a resposta honesta era: não sei exatamente, o dado era do homem.
Suplementação
Estudo publicado no International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism avaliou 7 dias de suplementação com blueberry highbush em corredores experientes de trail, com segmento de descida. Os dados mostram melhora de performance sem elevação de marcadores fisiológicos ou perceptivos de estresse. O mecanismo proposto envolve redução do dano muscular oxidativo pela carga de antioxidantes. O número de participantes e o modelo de dose única de suplementação limitam a extrapolação. Para o médico do esporte, o dado abre janela de interesse, mas não sustenta recomendação rotineira sem replicação em amostras maiores.
Fonte: Int J Sport Nutrition & Exercise Metab
3 ganchos
- Blueberry antes de trail com descida longa: a ideia faz sentido bioquímico e agora tem dado de performance para sustentar a conversa.
- Antioxidante de fonte alimentar melhorando performance sem elevar estresse fisiológico. O detalhe que importa: 7 dias, não uma dose aguda.
- Antes de recomendar, lembre que o estudo era em corredores experientes com downhill específico. Contexto importa antes de generalizar.
Suplementação
Revisão sistemática publicada na Nutrients compara galactomananas de diferentes fontes vegetais (guar, alfarroba, feno-grego e tara) em desfechos de saúde metabólica. O feno-grego mostrou desempenho superior às demais no controle glicêmico e lipídico. O mecanismo central é viscosidade solúvel com retardo de absorção de glicose e colesterol no intestino delgado. Para o nutrólogo, o dado reposiciona feno-grego como fibra funcional com evidência comparativa, não apenas como suplemento folclórico. Dose eficaz e forma de apresentação (farinha, extrato, semente) ainda carecem de padronização. Use como complemento dietético, não substituto farmacológico.
Fonte: Nutrients
3 ganchos
- Feno-grego sempre esteve na despensa do paciente. Agora tem revisão sistemática mostrando que ele supera outras fibras no controle metabólico.
- Galactomanana de feno-grego versus guar: no papel parecem iguais, na prática de controle glicêmico não são. O dado está publicado.
- Toda vez que o paciente pergunta sobre suplemento para glicemia, fibra viscosa com dado comparativo é resposta mais honesta que muita cápsula.