GLP-1
A Eli Lilly está expandindo o programa de acesso expandido (compassionate use) à retatrutida para novos pacientes, após caso individual ganhar visibilidade. O movimento ocorre enquanto os dados de fase 3 confirmam perda de até 25 kg. O acesso especial exige solicitação médica formal e análise caso a caso pela empresa. Para médicos brasileiros, o cenário é relevante: pacientes podem buscar essa via por conta própria ou via telemedicina internacional. Conhecer o processo evita prescrições de risco baseadas em aquisição paralela. Monitore o canal oficial da Lilly para critérios atualizados de elegibilidade.
Fonte: STAT News
3 ganchos
- Antes de o paciente comprar retatrutida em site gringo, ele deveria saber que existe um acesso formal. Mas alguém precisa contar isso a ele.
- A Lilly abriu acesso expandido para retatrutida. O paciente já sabe disso. O médico ainda vai ser pego de surpresa na próxima consulta.
- Fármaco sem aprovação, com dado de fase 3 e acesso compassionate já circulando: o protocolo de conduta não está nos livros ainda.
Hormonal
Revisão publicada no JCEM consolidou evidência de que a paratireoidectomia melhora consistentemente a densidade mineral óssea em pacientes com hiperparatireoidismo secundário refratário ao tratamento clínico. Os maiores ganhos ocorrem em sítios ricos em osso trabecular (vértebras, rádio distal). O achado reforça que o benefício esquelético deve entrar explicitamente no aconselhamento pré-cirúrgico, especialmente em pacientes com doença renal crônica avançada. Nutrólogos e endocrinologistas que acompanham essa população devem alinhar expectativa: a cirurgia não é só controle do PTH, é proteção óssea documentada. Inclua DMO pré e pós-operatória no seguimento.
Fonte: JCEM
3 ganchos
- Paratireoidectomia no hiperparatireoidismo secundário: o paciente opera para controlar PTH, mas o osso é quem mais agradece.
- Revisar DEXA antes e depois da paratireoidectomia deveria ser protocolo. Em muitos serviços, ainda é exceção.
- Osso trabecular responde melhor à cirurgia do que osso cortical. Isso muda onde você olha no exame de DMO pós-op.
Diretrizes
A Lancet Diabetes & Endocrinology publicou comentário sobre a nova diretriz da Endocrine Society 2026 para puberdade precoce central, com ênfase em tratamento personalizado. O título 'menos pode ser mais' sinaliza revisão da indicação ampla de análogos de GnRH. A diretriz incorpora critérios de precisão: nem toda menina com puberdade precoce central se beneficia de supressão prolongada. Para endocrinologistas pediátricos e nutrólogos que acompanham composição corporal nessa faixa etária, o documento muda o gatilho de prescrição. Acesse o texto completo na Endocrine Society para os critérios atualizados de início e duração de tratamento.
Fonte: Lancet Diabetes & Endocrinology
3 ganchos
- Por anos a gente suprimiu puberdade precoce central de forma quase automática. A nova diretriz da Endocrine Society diz: nem sempre.
- A criança com puberdade precoce central e progressão lenta pode não precisar de análogo de GnRH. O dado mudou. A conduta precisa mudar também.
- Diretriz de precisão em puberdade precoce: a pergunta não é mais 'ela tem?', é 'ela se beneficia de tratar?'.
Musculação
A Folha aborda o fenômeno conhecido como 'shape de aluguel', em que ganhos musculares obtidos com ciclos de anabolizantes regridem após a descontinuação. Do ponto de vista fisiopatológico, o mecanismo envolve queda brusca de testosterona exógena, supressão do eixo hipotálamo-hipófise-gônada e perda de retenção hídrica intramuscular. A hipertrofia miofibrilar parcialmente se mantém se houver continuidade do treinamento, mas a magnitude do ganho raramente persiste. Para médicos que atendem praticantes de musculação, entender esse ciclo é essencial para o manejo pós-ciclo, incluindo reposição hormonal supervisionada e monitoramento de eixo.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- O paciente que veio com 95 kg de músculo agora está com 82 kg e achando que fez algo errado. Não fez. O ciclo acabou e a fisiologia cobrou.
- Ganho de massa com anabolizante sem treino continuado depois: o músculo vai junto com o exógeno. Isso não é mito, é biologia do eixo HPG.
- Antes de o paciente iniciar ciclo, vale a conversa honesta: parte do que vai crescer vai embora quando o ciclo terminar.
Hormonal
Revisão sistemática publicada na MedPage Today indica que adolescentes trans e de gênero diverso apresentam desaceleração do ganho de densidade mineral óssea durante supressão puberal com análogos de GnRH. Após o início da terapia hormonal afirmativa de gênero (GAHT), há recuperação parcial da DMO, mas o grau de reversão varia e não atinge completamente os pares cisgênero no mesmo período. O achado tem implicação direta para endocrinologistas que prescrevem bloqueadores puberais: monitoramento de DMO por DEXA durante e após supressão deixa de ser opcional e passa a ser conduta estruturada.
Fonte: MedPage Today
3 ganchos
- Bloqueador puberal sem DEXA de acompanhamento é conduta incompleta. O dado de DMO em jovens trans agora confirma isso com revisão sistemática.
- A DMO recupera parcialmente depois que a GAHT começa. 'Parcialmente' é a palavra que o médico precisa explicar para a família antes, não depois.
- Toda vez que um adolescente inicia supressão puberal, o osso entra em pausa. A pergunta é quanto desse tempo ele consegue recuperar depois.
GLP-1
Nota no compilado semanal da MedPage Today menciona o 'GLP-1 temporal hollowing' como sinal em crescente discussão clínica. A perda rápida de gordura facial, especialmente na região temporal, é efeito colateral estético da perda ponderal acelerada e não específico do GLP-1, mas sua incidência aumentou proporcionalmente ao uso dos fármacos. Para médicos que prescrevem semaglutida e tirzepatida, o ponto de conduta é preventivo: alertar o paciente antes do início do tratamento sobre mudanças na composição facial e discutir ritmo de perda ponderal. Perda mais lenta pode minimizar o efeito.
Fonte: MedPage Today
3 ganchos
- O paciente perdeu 18 kg em 5 meses e voltou ao consultório preocupado com o rosto. O 'temporal hollowing' não estava no consentimento informado.
- Afundamento temporal em usuários de GLP-1 não é efeito do remédio. É efeito da perda de gordura rápida. A distinção importa na conversa com o paciente.
- Toda vez que o ritmo de perda supera 1 kg por semana, alguma coisa além do tecido adiposo visceral vai junto. O rosto costuma avisar primeiro.
Composição Corporal
A MedPage Today consolida o debate crescente sobre substituição do IMC por métricas de composição corporal no diagnóstico de obesidade. Propostas em discussão incluem circunferência abdominal, relação cintura-altura e adiposidade medida por DEXA ou BIA como critérios primários ou complementares. O ponto prático para endocrinologistas e nutrólogos brasileiros: o framework da Lancet (2025) e o da Endocrine Society já incorporam esses critérios. IMC isolado classifica erroneamente tanto obesos metabólicos com IMC normal quanto indivíduos com excesso de gordura mascarado por massa muscular. Incorpore pelo menos circunferência abdominal em toda avaliação de rotina.
Fonte: MedPage Today
3 ganchos
- IMC 27 com 38% de gordura corporal: tecnicamente 'sobrepeso', clinicamente obeso. A balança não vê isso. O DEXA vê.
- O framework que substituirá o IMC não chegou ainda num consenso único. Mas circunferência abdominal já tem evidência suficiente para entrar no prontuário agora.
- Paciente com IMC normal que não emagrece porque 'está bem': quando você mede a cintura, a conversa muda.
Hormonal
Matéria da Folha aborda sinais subclínicos de disfunção tireoidiana frequentemente atribuídos a outras causas: fadiga, ganho de peso, queda de cabelo, intolerância ao frio e alterações de humor. O ponto clínico relevante: TSH dentro da faixa laboratorial não exclui hipotireoidismo funcional em pacientes sintomáticos, especialmente quando T4 livre está no terço inferior do intervalo de referência. Para nutrólogos e endocrinologistas, o alerta é sobre o uso exclusivo do TSH como triagem final. Considere T4 livre, T3 e anticorpos anti-TPO quando a clínica não fechar com o exame isolado.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- TSH 3,8 com T4 livre no limite inferior e paciente com 8 kg a mais em 6 meses: o exame está 'normal', mas a clínica está pedindo outra pergunta.
- Fadiga, queda de cabelo e ganho de peso com TSH normal: o laboratório encerrou a investigação. A clínica não deveria encerrar junto.
- Toda vez que o paciente volta com os mesmos sintomas e o mesmo TSH 'dentro do normal', vale perguntar: normal para quem?
Regulação
A Folha detalha os obstáculos que impedem a incorporação de semaglutida e tirzepatida no SUS: custo por paciente/ano incompatível com o orçamento da RENAME, ausência de PCDT específico para obesidade com GLP-1 e fila de avaliação na Conitec. O Brasil tem mais de 100 milhões de pessoas com sobrepeso ou obesidade, mas o acesso público ao tratamento farmacológico permanece restrito a orlistate. Para médicos que atendem pelo SUS ou atendem pacientes de baixa renda, o cenário exige discussão honesta sobre custo-efetividade e alternativas. Acompanhe a pauta na Conitec, onde o tema está em análise.
Fonte: Folha Equilíbrio e Saúde
3 ganchos
- O paciente com obesidade grau 3 no SUS tem direito à cirurgia bariátrica depois de 2 anos de fila. GLP-1 pelo sistema público ainda não existe.
- Semaglutida custa em média R$ 1.200 por mês. O SUS paga R$ 0. Essa conta não fecha por custo, não por falta de evidência.
- Enquanto a Conitec avalia a incorporação, o mercado paralelo de canetas falsificadas cresce. Alguém precisava dizer isso em voz alta.
Diretrizes
A Obesity (Silver Spring) publica chamada por consenso em torno de um framework diagnóstico universal que supere as divergências entre as propostas da Lancet, da Endocrine Society e da EASO. O desdobramento novo desta semana é o reconhecimento explícito de que a fragmentação de critérios prejudica ensaios clínicos, comparações epidemiológicas e cobertura por seguradoras. Para médicos brasileiros, o impacto prático é imediato: protocolos de elegibilidade para GLP-1 e bariátrica em planos de saúde usam o IMC como critério único, e qualquer mudança de framework afeta cobertura. Fique atento à posição da CFM e AMB sobre adoção de novos critérios.
Fonte: Obesity (Silver Spring)
3 ganchos
- Quatro frameworks diferentes para diagnosticar obesidade em 2026: o paciente é obeso dependendo de qual guideline o médico segue. Isso é um problema.
- Plano de saúde usa IMC 35 como critério para GLP-1. O framework novo diz que IMC sozinho não basta. A briga jurídica já está vindo.
- Sem consenso diagnóstico, não tem como comparar ensaio clínico A com ensaio clínico B. A ciência da obesidade está construindo em areia.
Suplementação
Matéria do G1 revisita questões sobre suplementação proteica e escolha de whey, com base em dados americanos de consumo. O contexto clínico relevante: a maioria dos estudos em populações com restrição calórica aponta necessidade proteica entre 1,6 e 2,2 g/kg/dia para preservação de massa magra, com limite superior sem benefício adicional documentado acima de 2,5 g/kg/dia em indivíduos treinados. A escolha entre whey concentrado, isolado e hidrolisado tem impacto marginal na prática clínica quando a dose total é atingida. Para prescrição, foque na meta diária antes do tipo do produto.
Fonte: G1 Bem Estar
3 ganchos
- O paciente gastou R$ 80 a mais no whey isolado achando que faz diferença. Se ele não bate a meta proteica do dia, a diferença é zero.
- 1,6 a 2,2 g de proteína por kg por dia para preservar massa magra em déficit calórico: esse número não mudou. O que mudou foi o tamanho do mercado em volta dele.
- Toda vez que a consulta começa com 'qual whey é melhor', a pergunta certa é: quanto de proteína você está comendo por dia no total?
Regulação
A Suprema Corte de Michigan autorizou investigação sobre se a Eli Lilly praticou preços 'grosseiramente excessivos' em produtos de insulina, com alegação de que pacientes foram forçados a racionar ou abandonar o tratamento. O caso tem implicações para o modelo de acesso a medicamentos de alto custo nos EUA, com potencial de precedente para outros fármacos, incluindo GLP-1. Para médicos brasileiros, o paralelo com o debate de incorporação no SUS e com o mercado paralelo de canetas é direto: o problema de acesso por custo é sistêmico, não local. Acompanhe o desfecho como sinal de tendência regulatória global.
Fonte: STAT News
3 ganchos
- A mesma empresa que fabrica tirzepatida está sendo investigada por cobrar preço inacessível de insulina. O acesso ao medicamento ainda é a variável que salva vidas.
- Racionar insulina por preço nos EUA em 2026: não é cenário de país em desenvolvimento. É o mercado farmacêutico sem teto de preço.
- Antes de o médico reclamar que o plano não cobre GLP-1, vale lembrar que nos EUA o plano também não cobre insulina para todo mundo.